Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 30 de novembro de 2025

O Ibovespa viveu em novembro um dos períodos mais fortes de sua história recente, saindo de pouco acima dos 150 mil pontos no início do mês para encostar nos 160 mil no último pregão. Na sexta-feira, o índice subiu 0,45%, aos 159.072 pontos, acumulando alta de 6,37% no mês, o melhor desempenho desde agosto de 2024, e atingindo nova máxima intradia de 159.689 pontos. No ano, o avanço chega a 32,25%.
O movimento foi sustentado principalmente pelo fluxo estrangeiro, que somou cerca de R$ 30 bilhões em 2025, acima das expectativas da Genial Investimentos. Apenas nas últimas semanas de novembro, fundos globais de mercados emergentes aportaram US$ 4,2 bilhões, elevando a participação estrangeira na Bolsa brasileira para 58%, o maior nível em muito tempo.
A forte valorização da Bolsa brasileira também acompanha o desempenho global dos mercados emergentes, que subiram de forma expressiva em 2025. Em dólar, o Ibovespa avançou 50% no ano, enquanto a Coreia do Sul valorizou 70%, deixando o segmento entre os mais destacados do mundo.
A Genial ressalta que a performance se apoia no pano de fundo internacional, marcado por um ciclo raro de cortes de juros sincronizados ao redor do mundo. Após o primeiro corte do Federal Reserve em outubro, o mercado passou a esperar nova redução já em dezembro. O diferencial deste momento é que os cortes ocorrem em um ambiente de crescimento econômico entre 2% e 3% ao ano e com lucros corporativos em trajetória de alta, algo incomum nas últimas décadas.
Segundo os analistas, o ambiente global de queda no custo de capital, expansão dos múltiplos e apetite crescente por risco cria uma combinação favorável para ativos de renda variável. Nesse cenário, o Brasil tem ainda a vantagem de poder se juntar a esse movimento, já que parte do mercado passou a apostar que o Banco Central brasileiro poderá iniciar um ciclo de cortes já em janeiro ou março.
A Genial também destaca que o cenário político terá peso relevante na formação dos preços daqui para frente. Para os analistas, a continuidade do governo Lula seria vista como extensão da política fiscal atual, o que manteria juros reais elevados e poderia levar o Ibovespa de volta à faixa entre 130 mil e 140 mil pontos. Em contrapartida, uma mudança de governo com retomada da agenda de reformas poderia levar o índice a patamares próximos de 200 mil pontos, com queda das taxas longas de inflação e convergência da Selic para um dígito ao longo do tempo.
Projeções de outras casas reforçam a perspectiva otimista. A XP estima o Ibovespa em 170 mil pontos em 2026, enquanto o Morgan Stanley projeta o índice a 200 mil no mesmo período.
Visão Bolso do Investidor
O desempenho excepcional do Ibovespa em novembro reflete uma combinação poderosa de fluxo estrangeiro, cenário global favorável e expectativas de política monetária mais branda. Para o investidor brasileiro, o momento exige equilíbrio: aproveitar o ciclo positivo, mas manter disciplina. A construção de patrimônio passa por visão de longo prazo, alocação diversificada e, antes de aumentar exposição a risco, a garantia de uma reserva de emergência sólida para enfrentar oscilações inevitáveis do mercado.
Fontes: InfoMoney
