Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 3 de novembro de 2025

O Ibovespa encerrou esta segunda-feira (3) em alta de 0,61%, aos 150.454,24 pontos, marcando um novo recorde histórico. É a nona sessão consecutiva de valorização, impulsionada por otimismo com resultados corporativos e perspectivas externas mais favoráveis. Na máxima do dia, o índice atingiu 150.761,29 pontos, consolidando-se acima da barreira simbólica dos 150 mil pontos pela primeira vez.
O real também se valorizou no pregão: o dólar comercial recuou 0,42%, cotado a R$ 5,357. Já os juros futuros (DIs) tiveram alta em toda a curva, refletindo cautela do mercado com as decisões fiscais e monetárias no Brasil.
Wall Street no embalo da inteligência artificial
Nos Estados Unidos, o dia foi de movimentos mistos, mas com destaque positivo para as ações de tecnologia. O S&P 500 e o Nasdaq subiram impulsionados por empresas ligadas à Inteligência Artificial, enquanto o Dow Jones apresentou leve queda.
As ações da Nvidia avançaram após o anúncio da Microsoft, que recebeu licença do governo de Donald Trump para exportar chips da fabricante aos Emirados Árabes Unidos. O investimento total da empresa no país deve chegar a US$ 15,2 bilhões até 2029.
A Amazon também movimentou o mercado ao fechar um acordo bilionário com a OpenAI, no valor de US$ 38 bilhões, para fornecimento de chips Nvidia. A parceria reforça a presença da AWS no mercado de computação em nuvem para IA e marca uma nova expansão da OpenAI.
O início de novembro também trouxe ajustes de horário nas bolsas norte-americanas, com o fim do horário de verão nos EUA — o que amplia em uma hora o pregão brasileiro.
Semana decisiva: Copom e Boletim Focus em destaque
A semana promete ser intensa em São Paulo, com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na quarta-feira (5). Embora o mercado não espere novos cortes de juros neste momento, a atenção está voltada para o tom do comunicado do Banco Central.
A XP Investimentos avalia que há motivos para manter uma postura cautelosa. De um lado, o IPCA segue em trajetória de desinflação, o câmbio acumula valorização no ano e os alimentos apresentam queda de preços. Por outro, o mercado de trabalho aquecido e a expansão fiscal do governo ainda preocupam.
Segundo a XP, os cortes na Selic devem ocorrer apenas a partir de março de 2026.
Enquanto isso, o Boletim Focus mostrou a sexta redução consecutiva nas projeções de inflação, reforçando a percepção de melhora gradual no cenário de preços.
Balanços movimentam o mercado
O início de novembro também marca uma semana carregada de resultados corporativos na B3.
Na terça-feira (4), após o fechamento, o Itaú Unibanco (ITUB4) — hoje a empresa mais valiosa da Bolsa — divulga seu balanço. O mercado espera lucro líquido de R$ 11,8 bilhões, o que representaria um novo recorde trimestral. As ações do banco subiram 1,66% no pregão.
A Petrobras (PETR4), que agora ocupa o segundo lugar em valor de mercado, também teve dia positivo, com alta de 1,18%, de olho no resultado do 3T25, que será publicado na quinta-feira (6). A companhia anunciou um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) que pode atingir mais de mil funcionários.
Outros grandes bancos acompanharam o movimento de alta:
- Banco do Brasil (BBAS3): +0,82%
- Bradesco (BBDC4): +1,10%
- Santander (SANB11): +1,22%
A Vale (VALE3), que já havia divulgado seu resultado, oscilou durante o dia e encerrou próxima da estabilidade, com +0,14%.
A Embraer, que estreou o novo ticker EMBJ3 no lugar de EMBR3, subiu 0,32% antes da divulgação de resultados nesta terça-feira (4).
A Eletrobras, agora chamada Axia Energia, manteve os tickers originais (ELET3 e ELET6) e registrou altas de 0,88% e 0,34%, respectivamente. O balanço sai também na quarta-feira (5).
A Marcopolo (POMO4), por sua vez, divulgou números abaixo do esperado e caiu 8,11%, refletindo preocupações com desaceleração na demanda doméstica e receita menor que o previsto.
Com esses movimentos, o mercado encerra o dia com recordes históricos e uma agenda carregada — tanto no campo corporativo quanto no macroeconômico.
Visão Bolso do Investidor
A quebra do recorde histórico do Ibovespa reflete o bom momento de confiança no mercado acionário, sustentado por balanços corporativos sólidos e estabilidade nos juros. No entanto, é importante cautela: a combinação de incertezas fiscais e indefinição na política monetária pode gerar volatilidade nos próximos meses.
Para o investidor, o cenário reforça a importância da diversificação e da gestão de risco, equilibrando exposição em renda variável com ativos de renda fixa, especialmente diante da expectativa de cortes na Selic apenas em 2026.
Fontes:
- InfoMoney
