Inadimplência alta no agro, Caixa endurece crédito para o setor

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 27 de novembro de 2025

O presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio Vieira Fernandes, afirmou nesta quinta-feira (27) que o banco vai revisar todas as condições de crédito destinadas ao agronegócio depois do avanço expressivo da inadimplência no setor. Segundo ele, o país viveu um excesso de crédito nos últimos anos, o que levou muitos produtores a direcionarem recursos para a compra de terras em vez de investimentos produtivos, elevando o risco das operações e pressionando o desempenho da carteira rural.

No terceiro trimestre deste ano, a Caixa registrou lucro líquido contábil de R$ 3,8 bilhões, crescimento de 15,4% em relação ao mesmo período de 2024 e 50,3% na comparação anual. A carteira de crédito agro chegou a R$ 61,8 bilhões em setembro, alta de 3,7% em doze meses, porém acompanhada de uma deterioração significativa nos índices de inadimplência. O percentual de atrasos no agronegócio saltou de 7,02% para 11,20% entre junho e setembro, enquanto a inadimplência geral do banco avançou de 2,66% para 3,01%, permanecendo abaixo da média dos concorrentes, que foi de 3,79% para 4,12%.

Com o aumento dos atrasos, a provisão para perdas na carteira rural também subiu, passando de 6,8% para 9% no período. Ao mesmo tempo, a parcela considerada mais segura diminuiu de R$ 55 bilhões para R$ 53 bilhões, enquanto os créditos classificados como problemáticos cresceram de R$ 6 bilhões para R$ 8 bilhões. Vieira afirmou que o uso indevido dos recursos se tornou comum, já que parte do crédito, originalmente destinado a investimentos ou produção, acabou sendo redirecionado para expansão de terras. Segundo ele, o setor passou por um ciclo de crescimento acelerado, e isso elevou a exposição dos bancos a riscos maiores.

Ele também declarou que a Caixa está chamando todos os devedores para entender a origem das dificuldades financeiras e separar aqueles que enfrentaram problemas reais, como clima ou quebra de safra, daqueles que perderam a confiança na relação com o banco. Nesses casos, segundo Vieira, a instituição pretende ser dura e criteriosa. A Caixa deve estabilizar a oferta de crédito rural a partir do ano que vem e estabelecerá novas exigências com base nos aprendizados acumulados nos últimos anos. Vieira afirma que o banco seguirá ativo no setor, mas com regras mais rígidas e maior prudência.

Visão Bolso do Investidor

A decisão da Caixa é um alerta para o momento de ajuste que o agronegócio atravessa, especialmente após anos de crédito abundante e expansão acelerada. Para investidores, o movimento indica um ambiente de maior cautela, com bancos aumentando exigências, revisando riscos e buscando proteção contra novos ciclos de inadimplência. Em cenários assim, análises criteriosas dos emissores e das garantias se tornam ainda mais importantes, já que retornos elevados podem esconder fragilidades financeiras. Prudência, diversificação e atenção à qualidade do crédito são fundamentais antes de decisões de investimento.

Fontes: InfoMoney