Indústria e serviços derrubam “prévia do PIB” e reforçam sinais de desaceleração da economia

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 15 de dezembro de 2025

A economia brasileira voltou a apresentar sinais de perda de fôlego no início do quarto trimestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), recuou 0,2% em outubro, contrariando a expectativa do mercado, que projetava alta de 0,1% no período. O resultado reforça a leitura de desaceleração da atividade e adiciona novos elementos ao debate sobre o início do ciclo de cortes da taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), esperado por analistas para o primeiro trimestre de 2026.

Este foi o segundo resultado negativo consecutivo do indicador. Em setembro, o IBC-Br já havia registrado queda de 0,19%, número revisado pelo Banco Central em relação à retração de 0,20% divulgada anteriormente. A sequência de recuos sinaliza que os efeitos da política monetária restritiva começam a se intensificar sobre a economia real. Segundo Rodolfo Margato, economista da XP, a atividade doméstica vem desacelerando de forma consistente ao longo do segundo semestre, movimento alinhado ao atual nível elevado dos juros. Ele pondera, no entanto, que a economia ainda encontra algum suporte no mercado de trabalho, que permanece robusto, embora já dê sinais iniciais de estabilização. Além disso, medidas fiscais de caráter expansionista seguem contribuindo para uma certa resiliência da atividade nos próximos meses.

No setor industrial, que é intensivo em capital, os resultados fracos se espalham por diversos segmentos, somando-se aos efeitos do aumento de tarifas e do custo financeiro mais elevado. Paralelamente, observa-se uma desaceleração contínua nas vendas de alimentos, tanto no varejo quanto em bares e restaurantes, reforçando o quadro de perda de dinamismo do consumo.

Diante desse cenário, o ASA mantém a projeção de crescimento próximo de zero para o PIB no quarto trimestre de 2025, em linha com a desaceleração gradual observada ao longo do segundo semestre. O Inter avalia que a combinação entre atividade mais fraca e desinflação reforça a expectativa de cortes da Selic já no primeiro trimestre de 2026, possivelmente a partir da reunião de janeiro. A XP, por sua vez, projeta crescimento de 0,2% no quarto trimestre e expansão de 2,3% do PIB em 2025 como um todo, refletindo um ano marcado por forte desaceleração na reta final.

Visão Bolso do Investidor

A queda consecutiva do IBC-Br reforça que a economia brasileira começa a sentir de forma mais clara os efeitos dos juros elevados. Para o investidor, esse movimento aumenta a relevância do acompanhamento da política monetária, já que uma desaceleração mais consistente tende a abrir espaço para o início de um ciclo de cortes da Selic. Em momentos como este, estratégias mais defensivas, diversificação e atenção ao perfil de risco tornam-se ainda mais importantes para atravessar o período de transição econômica.

Fontes: Infomoney