Inflação de serviços deve seguir alta e desafiar queda mais rápida do IPCA em 2026

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 20 de janeiro de 2026

Os preços dos serviços, que foram um dos principais entraves para a queda da inflação ao longo de 2025, devem continuar elevados ao longo de 2026, segundo análise do economista Matheus Dias, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre). De acordo com a projeção divulgada, o segmento de serviços, que inclui desde alimentação fora do domicílio e transporte por aplicativo até serviços médicos e educacionais, deverá registrar alta acumulada em torno de 5,5% a 6% no ano, mantendo-se acima do ritmo de aumento geral de preços medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Segundo a análise da FGV-Ibre, a inflação de serviços deve seguir pressionada em 2026 em função de um mercado de trabalho aquecido e da maior renda disponível das famílias, fatores que sustentam a demanda por serviços e impedem uma queda mais rápida dos preços nesse grupo. Embora outros componentes do IPCA, como bens industriais, apresentem tendência de desaceleração e ajudem a compensar parte do impacto, o comportamento dos serviços pode dificultar a convergência mais ágil da inflação geral para a meta perseguida pelo Banco Central.

Os dados mais recentes também revelam que o acúmulo de inflação de serviços em 2025 foi consideravelmente mais alto que o do IPCA geral, refletindo setores como transporte por aplicativo e hospedagem entre os itens de maior elevação nos preços. Essa tendência, segundo o economista ouvidos pela FGV-Ibre, deve seguir presente no próximo ano, especialmente se a atividade econômica e a renda continuarem sustentadas.

Além disso, mudanças recentes na faixa de isenção do Imposto de Renda, que ampliam o número de trabalhadores beneficiados e aumentam o poder de consumo, podem injetar maior demanda por serviços em 2026, contribuindo para a manutenção de preços elevados ao longo do ano.

Visão Bolso do Investidor

A inflação de serviços é um componente importante da inflação geral e costuma ser mais rígida à queda devido à sua forte ligação com o mercado de trabalho e a demanda por atividades que não podem ser substituídas facilmente por bens. Para investidores, a persistência de altas nesse grupo indica que a inflação oficial (IPCA) pode demorar mais para convergir de forma consistente para a meta estabelecida pelo Banco Central, o que pode influenciar decisões de política monetária, como o ritmo de cortes da taxa básica de juros (Selic). Mesmo com projeções de desaceleração em itens específicos e perspectivas de inflação geral mais moderada, a pressão em serviços pode sustentar parte da alta de preços, afetando o consumo das famílias e possivelmente a percepção de inflação pelos consumidores. Observar como esse componente evolui ao longo de 2026 é essencial para calibrar expectativas de mercado e decisões de alocação de ativos no médio prazo.

Fontes: InfoMoney