Investidores correm para LCIs e LCAs em meio ao temor do fim da isenção

Publicado por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 30/09/2025


Crescimento recorde impulsionado pela expectativa de mudança tributária

Os fundos de investimento que aplicam em títulos incentivados — como as LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e as LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio) — registraram forte expansão no primeiro semestre de 2025. Esse movimento foi impulsionado principalmente pelo risco de que esses papéis percam a isenção do Imposto de Renda, prevista em proposta em discussão no Congresso.

Segundo dados do mercado, as LCIs cresceram 43,1% em ativos sob gestão, somando R$ 17,3 bilhões, enquanto as LCAs avançaram 19,7%, alcançando R$ 13,7 bilhões. O salto é expressivo quando comparado a outros ativos também beneficiados pela isenção: debêntures incentivadas subiram 6,5%, CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários) avançaram 9,6% e CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio) recuaram cerca de 4%.

No total, o volume aplicado em títulos incentivados atingiu R$ 67,3 bilhões, com crescimento de 15,6% em apenas seis meses. Já os gestores de patrimônio movimentavam ao final de junho R$ 540,3 bilhões, alta de 7,1% em relação ao mesmo período de 2024.


O que motiva essa corrida?

A principal razão para essa movimentação acelerada está na MP 1.303/2025, que prevê o fim da isenção de IR para LCIs, LCAs e LIGs (Letras Imobiliárias Garantidas). Caso a medida seja aprovada em sua redação atual, esses produtos passarão a ser tributados em 7,5% a partir de 2026.

Enquanto isso, debêntures incentivadas, CRIs e CRAs permaneceriam isentos, mantendo vantagem competitiva. Por isso, muitos investidores estão antecipando alocações, na tentativa de garantir contratos ainda dentro da regra atual.

Essa corrida também impacta os preços no mercado secundário. A forte demanda provocou compressão dos spreads, o que significa que os rendimentos desses papéis ficaram menores em função do interesse excessivo.


Reflexos para o investidor e para o mercado

Esse movimento traz alguns pontos de atenção:

  • Risco regulatório: mudanças nas regras fiscais podem alterar a atratividade de ativos considerados “seguros” pelos investidores.
  • Retornos comprimidos: com a alta procura, os rendimentos caem, tornando os títulos menos interessantes em termos de retorno ajustado ao risco.
  • Mudança de comportamento: muitos gestores estão realocando portfólios, priorizando os ativos ainda isentos e reduzindo exposição em produtos que podem perder benefício.
  • Efeito manada: a corrida pode gerar distorções de preços e liquidez, especialmente para pequenos investidores que entram após os grandes movimentos.

No longo prazo, a tributação de LCIs e LCAs pode gerar uma reorganização estrutural no mercado de renda fixa, redirecionando parte do fluxo para debêntures e recebíveis incentivados, que manteriam a vantagem fiscal.


O que esperar daqui para frente

Especialistas afirmam que a incerteza regulatória continuará a ditar o ritmo das alocações. Se a MP for aprovada, novos aportes em LCIs e LCAs deverão perder espaço. Por outro lado, caso haja mudanças no texto ou a manutenção da isenção, o crescimento observado em 2025 pode se consolidar ainda mais.

Independentemente do desfecho, a movimentação atual revela um comportamento típico do mercado diante de mudanças tributárias: os investidores buscam proteger sua posição e antecipar ganhos antes de uma possível mudança de regras.


Fonte: InfoMoney