Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 01 de dezembro de 2025

O investimento em private equity deixou de ser apenas uma alternativa e se consolidou como necessidade para investidores institucionais no Brasil. Mesmo em um ambiente de juros altos e forte competição pelo capital, o setor se destaca pela capacidade de gerar valor real, criar alfa e atuar como proteção contra a volatilidade, segundo especialistas que participaram do Annual Meeting da XP Asset.
Durante o painel, mediado por Marina Procknor, sócia do Mattos Filho, gestores da XP discutiram como o capital tem sido direcionado para gerar valor e quais setores despontam como mais promissores dentro das estratégias de private equity e venture capital.
Segundo Chu Kong, head de Private Equity da XP Asset, a criação de valor começa muito antes da compra de uma empresa. Ele explica que o processo se fundamenta na construção de uma tese sólida. “O princípio de tudo chama-se tese de investimento. Criamos teses, adquirimos companhias e buscamos retorno de liquidez por meio de vendas estratégicas”, afirmou.
Romero Rodrigues, head de Venture Capital da XP Asset, reforçou que setores como serviços financeiros, saúde, educação, consumo e tecnologia estão no radar, mas a prioridade é sempre encontrar uma tese consistente, independentemente do segmento.
O debate integrou o painel “Destravando valor através de investimentos privados”, realizado no fim da semana passada.
Private equity: da tese à execução
O histórico da XP evidencia como estratégias bem executadas podem destravar valor de forma significativa. Em 2010, o fundo da XP foi o primeiro investidor institucional da própria corretora. Na época, era uma entre 78 no país e uma das poucas lucrativas.
A tese, inspirada no modelo da americana Charles Schwab, propunha transformar a XP em um “supermercado financeiro”, com oferta diversificada de produtos. O retorno foi expressivo. “Pagamos 23 vezes o lucro líquido e, na abertura de capital em 2019, o retorno foi de 123 vezes”, relembrou Chu Kong.
Marina Procknor destacou que governança, eficiência operacional e potencial de crescimento são pilares essenciais para criação de valor em private equity. A combinação desses fatores, segundo ela, traz previsibilidade, qualidade e segurança ao retorno.
Venture capital: founders, escala e dor resolvida
No universo de venture capital, o foco recai sobre pessoas, tecnologia e escalabilidade. Para Rodrigues, o processo sempre começa com uma análise profunda dos fundadores. O segundo passo é avaliar o tamanho do mercado e, por fim, entender a dor que a startup resolve. “Quanto maior e mais clara a dor, maior a chance de sucesso”, explicou.
Ele também destacou que o acesso aos melhores fundadores é um diferencial competitivo. “O ativo escolhe o gestor. É preciso agregar valor além do cheque. Track record, reputação e rede global ampliam o alcance e a qualidade das oportunidades”, afirmou.
Em períodos de desafios macroeconômicos, essa abordagem pode se tornar ainda mais vantajosa, com startups mais abertas a captar capital e clientes mais receptivos a soluções inovadoras.
Oportunidades em um cenário desafiador
Mesmo com juros elevados e liquidez mais restrita, o cenário atual oferece oportunidades importantes. Chu Kong observou que o custo de oportunidade cresce com a taxa de juros, o que exige foco maior na geração de valor. “A 15% ao ano, você precisa entregar acima disso. O desafio é grande, mas os retornos podem ser exponenciais”, afirmou.
Rodrigues acrescentou que ciclos difíceis podem criar as melhores safras de empresas de tecnologia. Com menos competição e maior eficiência no uso do capital, startups tendem a fortalecer modelos de negócio e construir vantagens duradouras.
O painel reforçou que a combinação entre tese robusta, governança ativa, eficiência operacional e apoio estratégico aos fundadores é o que viabiliza a criação de valor sustentável no ecossistema de private equity e venture capital no Brasil.
Visão Bolso do Investidor
Investimentos privados têm ganhado relevância pelo potencial de gerar valor em horizontes de médio e longo prazo, além de oferecer diversificação e retorno descorrelacionado do mercado público. Em um ambiente de juros elevados e seletividade crescente, estratégias de private equity e venture capital contribuem para capturar oportunidades estruturais que não aparecem via bolsa. A ênfase em governança, qualidade das teses e consistência dos fundadores reforça a importância de olhar para ativos que unem disciplina, inovação e capacidade de execução.
Fontes:
- Infomoney
