Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 07 de janeiro de 2026

Após um 2025 marcado por fortes oscilações no câmbio, estrategistas avaliam que a diversificação internacional será central para atravessar 2026, mesmo diante de um cenário de dólar mais fraco. A leitura predominante é que investir fora do país deixou de ser apenas uma aposta cambial e passou a exercer um papel estrutural na redução de riscos concentrados na economia brasileira, especialmente em um ano eleitoral que tende a elevar a volatilidade dos mercados.
O dólar registrou em 2025 seu pior desempenho desde a década de 1970 e as projeções indicam continuidade do enfraquecimento em 2026. Ainda assim, gestores defendem que esse movimento não elimina a relevância dos investimentos internacionais. Pelo contrário, a combinação de incertezas políticas, fiscais e econômicas no Brasil reforça a importância de buscar exposição a outros mercados como forma de preservar patrimônio e ampliar oportunidades.
Segundo Rodrigo Aloi, head de pesquisa e estratégia da HMC Capital, o investidor brasileiro já possui grande parte de sua renda, carreira, negócios e patrimônio imobiliário vinculados ao desempenho da economia local. Para ele, manter o patrimônio excessivamente concentrado no Brasil pode gerar perdas relevantes em cenários adversos, muitas vezes difíceis de recuperar.
Dólar fraco, mas câmbio instável
Ao longo de 2025, o dólar apresentou tendência de desvalorização no cenário internacional, sobretudo frente a moedas de mercados emergentes. De acordo com Luis Garcia, CIO da SulAmérica Investimentos, esse movimento global acabou prevalecendo, mesmo diante de incertezas internas. Segundo ele, houve uma tendência clara de enfraquecimento da moeda americana no mercado internacional.
No Brasil, no entanto, o comportamento do câmbio foi mais volátil. Para Bruno Botelho, chefe da mesa de câmbio e sócio da ONE Investimentos, o dólar oscilou ao longo do ano refletindo tanto fatores externos, como a reprecificação dos juros globais, quanto questões domésticas relacionadas ao fiscal e ao cenário político.
Para 2026, o fator eleitoral deve intensificar essa volatilidade. Dados apresentados por Tadeu Arantes, head de alocação da Ghia Multi Family Office, mostram que a volatilidade anualizada média do dólar em anos eleitorais foi de 15,1%, superior aos 13,9% observados em anos não eleitorais.
Por que isso reforça investir no exterior
Na avaliação dos gestores, esse ambiente mais instável reforça a necessidade de não concentrar todo o patrimônio no Brasil. Para Artur Wichmann, CIO da XP, a diversificação internacional deixou de ser opcional. Segundo ele, o objetivo não é apenas buscar retorno, mas reduzir o risco de concentração em um único país.
Wichmann afirma que o movimento do dólar em 2025 teve caráter mais estrutural do que muitos investidores esperavam. Para ele, isso não representa um colapso da moeda americana, mas indica que o chamado excepcionalismo dos Estados Unidos começou a ser questionado.
Rodrigo Aloi reforça que todos os investimentos locais estão sujeitos às mesmas variáveis político-econômicas. Na sua avaliação, a única forma efetiva de proteção contra choques domésticos é a exposição ao mercado internacional. Ele ressalta que não se trata de alocar todo o patrimônio fora do país, mas que níveis muito baixos de exposição, como 1%, estão distantes do ponto considerado mais eficiente, estimado entre 30% e 40%.
Oportunidades na renda variável global
O UBS Global Wealth Management entra em 2026 com uma visão positiva para a renda variável global, mesmo após o forte desempenho das bolsas em 2025. Segundo Ronaldo Patah, estrategista para o Brasil da instituição, a alta das bolsas americanas no último ano não caracteriza um cenário de bolha. Para ele, o mercado dos Estados Unidos segue exuberante, mas não irracional.
Mesmo com um dólar mais fraco, Patah avalia que o mercado acionário americano continua sendo uma das principais oportunidades para investir no exterior em 2026. Segundo ele, os valuations elevados refletem fundamentos sólidos e perspectivas de crescimento ainda consistentes, especialmente ligadas à inteligência artificial, que estaria em uma fase inicial de adoção.
Na XP, a leitura também é construtiva. A instituição elevou para neutra a recomendação de exposição aos mercados americanos, apostando que o impulso gerado pela inteligência artificial deve continuar, apesar das incertezas econômicas.
Investir fora vai além do dólar
Artur Wichmann destaca que investir no exterior não deve ser confundido com uma aposta exclusiva nos Estados Unidos. Para ele, regiões como Europa, Japão e alguns mercados emergentes oferecem oportunidades relevantes, especialmente em um ambiente de dólar mais fraco.
O UBS também ampliou sua exposição a outros mercados, como China, Europa e economias emergentes. A estratégia é sustentada pela expectativa de cortes de juros globais e por uma projeção de crescimento de cerca de 8% nos lucros do S&P 500 em 2026.
Visão Bolso do Investidor
O cenário de dólar mais fraco não reduz a importância da diversificação internacional; ao contrário, reforça seu papel como ferramenta de proteção e equilíbrio de risco. Em um ano marcado por eleições e maior incerteza doméstica, a exposição a ativos globais pode ajudar a diluir choques locais e ampliar o leque de oportunidades. Para o investidor, o desafio está em estruturar essa diversificação de forma estratégica, indo além do câmbio e considerando diferentes regiões, classes de ativos e motores de crescimento no cenário internacional.
Fontes:
- InfoMoney
