Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 02/11/2025

Introdução
A nova projeção de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) pode fechar 2025 em cerca de 4,5% (ou seja, praticamente no teto da meta de inflação) elevou significativamente as expectativas de mercado para um primeiro corte da taxa básica de juros Selic já em janeiro de 2026. A mediana das projeções consultadas no boletim Focus aponta para inflação de 4,56% em 2025
Desenvolvimento
Com o IPCA projetado em torno de 4,5% — ou seja, no limite superior da meta formal de 3% com tolerância de até 1,5 ponto percentual — o cenário ganha nova leitura para a política monetária. Uma inflação sob controle abre espaço para que o Banco Central avalie iniciar o ciclo de cortes da Selic mais cedo do que se esperava. De acordo com análises do mercado financeiro, o ambiente de juros elevados (Selic em 15% ao ano) combinado com inflação comportada faz com que a autoridade monetária possa antecipar uma flexibilização.
Economistas consultados indicam que, embora a inflação tenha se apresentado dentro da meta, o mercado também observa os riscos no lado da atividade econômica — com sinais de desaceleração e uma necessidade de estímulos para evitar que o crédito e o consumo congelem. A possibilidade de corte em janeiro reforça a visão de que o Banco Central estaria antecipando os movimentos caso os dados evoluam conforme o cenário mais favorável.
Apesar do otimismo, há ressalvas. Há consenso de que o Banco Central seguirá atento ao mercado de trabalho, câmbio e à inflação futura (pressões de custos, energia, alimentos). Por isso, mesmo com inflação controlada, o corte em janeiro não é algo ‘garantido’, mas passa a ser um cenário plausível, segundo o mercado.
Análise do Bolso do Investidor
Para o investidor, esse novo cenário traz implicações práticas importantes: um corte da Selic antecipado poderia levar a uma redução nas taxas de retorno de aplicações de renda fixa (como Tesouro Selic, CDBs) e, ao mesmo tempo, favorecer ações de valor, fundos imobiliários e segmentos que se beneficiam de crédito mais barato. Se o IPCA fechar em 4,5% e a Selic começar a recuar, títulos com remuneração pós-fixada tendem a perder atratividade ante ativos de risco.
Adicionalmente, o ambiente de juros mais baixos estimula o consumo e pode favorecer empresas cíclicas ou de alavancagem financeira. Mas o investidor precisa monitorar dois vetores de risco: se o mercado interpretar que o Corte está “prematuro”, qualquer ruído — por exemplo, pressão inflacionária inesperada ou câmbio em desvalorização — pode gerar rápida reversão. Nesse sentido, possuir alguma posição em renda variável com foco em crescimento pode render ganhos maiores, mas com maior volatilidade.
Fechamento
Com o IPCA se aproximando de 4,5% para 2025, o cenário de corte da Selic em janeiro ganha força entre os agentes financeiros. Ainda que ainda haja condicionantes para que a decisão se concretize, o mercado já reage como se o ciclo de flexibilização começasse antes do que se estimava há alguns meses. Em seguida, o foco estará nos dados de inflação dos próximos meses, no comportamento do câmbio e no mercado de trabalho — que juntos irão definir se o Banco Central avança ou recua nesta nova estratégia.
Fontes: InfoMoney; Economia & Pauta; Boletim Focus.
