Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 27 de janeiro de 2026

O Itaú BBA elevou a recomendação para as ações da Yduqs, controladora das marcas Estácio e Ibmec, de market perform para outperform, equivalente à compra. O banco também revisou o preço-alvo dos papéis de R$ 16 para R$ 19. Após o anúncio, as ações da companhia avançavam 8,77% por volta das 11h25, cotadas a R$ 15,01.
Segundo o banco, apesar do forte rali do setor educacional em 2025, a Yduqs apresentou desempenho inferior ao de seus pares, movimento que passou a ser interpretado como uma oportunidade de investimento. A avaliação considera a negociação da companhia a cerca de 7 vezes o lucro estimado para 2026, além do potencial de forte geração de caixa.
O Itaú BBA projeta crescimento de 5,5% na receita líquida da Yduqs em 2026, impulsionado por uma expansão mais consistente do segmento presencial. Em contrapartida, a área digital tende a enfrentar pressão em razão da migração de alunos. A rentabilidade deve permanecer praticamente estável, já que menores contingências, redução da inadimplência e controles mais rígidos das despesas administrativas devem compensar provisões relacionadas à remuneração variável de 2025. As projeções indicam margem EBITDA ajustada consolidada de 33,5% em 2026.
O banco estima fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) de R$ 508 milhões em 2026, equivalente a um yield de 14%, sustentado por maior EBITDA e menores despesas financeiras, já considerando o impacto reduzido do modelo de financiamento privado.
Cogna (COGN3)
Para a Cogna, o Itaú BBA também elevou a recomendação de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 3,30 para R$ 6. A revisão foi sustentada por uma melhora no desempenho operacional e por perspectivas consideradas consistentemente fortes para 2026 em todos os segmentos, além de um FCFE yield atrativo de 10% para o período. Por volta das 11h25, as ações da empresa subiam 3,30%, negociadas a R$ 4,70.
O banco projeta receita líquida consolidada de R$ 7,866 bilhões em 2026, crescimento de 11% na comparação anual. O avanço deve ser impulsionado pela força do segmento presencial, pelo desempenho da KrotonMed, por tendências positivas de valor anual de contratos (ACV) na Vasta e por crescimento de dois dígitos na Saber, apoiado pela sazonalidade do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD).
A rentabilidade da Kroton deve permanecer estável, com menores despesas de provisão para devedores duvidosos compensando a pressão sobre a margem bruta decorrente da adaptação às novas regras. A Vasta tende a se beneficiar de maior alavancagem operacional, enquanto as margens da Saber devem sofrer compressão em função da concentração de compras de conteúdo. No consolidado, o Itaú BBA estima margem EBITDA ajustada de 32,4%, praticamente estável em relação ao ano anterior.
A conversão mais forte de EBITDA em caixa e a redução das despesas financeiras devem resultar em FCFE de R$ 840 milhões em 2026, equivalente a um yield de 10%, já descontado o pagamento não recorrente de R$ 26 milhões relacionado à aquisição da Vasta, previsto para o primeiro trimestre de 2026.
Cruzeiro do Sul (CSED3)
Entre as small caps, o Itaú BBA destaca a Cruzeiro do Sul como sua preferência no setor, impulsionada pela forte geração de caixa livre, refletida em um FCFE yield estimado de 13% em 2026. O banco também ressalta o posicionamento estratégico da companhia como possível beneficiária de um futuro ciclo de fusões e aquisições.
A projeção é de crescimento de 9% da receita líquida em 2026, impulsionado por tíquetes médios mais elevados no segmento presencial, bom desempenho dos programas híbridos sob as novas regras e expansão da receita do ensino a distância, com ajustes de preços para alunos veteranos. A rentabilidade deve melhorar à medida que medidas de eficiência implementadas nos últimos trimestres ganhem tração, com maior diluição das despesas de provisão para inadimplência. O Itaú BBA projeta margem EBITDA ajustada de 32,2%, alta de 1,2 ponto percentual em relação ao ano anterior.
O FCFE estimado é de R$ 335 milhões em 2026, equivalente a yield de 13%. Com isso, o banco mantém recomendação de compra e elevou o preço-alvo de R$ 6 para R$ 10.
Vitru (VTRU3)
O Itaú BBA manteve recomendação de compra para a Vitru e elevou o preço-alvo para R$ 22. O banco projeta crescimento de 5% da receita líquida em 2026, apoiado pelo aumento significativo do tíquete médio dos alunos veteranos, compensando a estabilidade das novas matrículas em um ambiente de maior restrição regulatória e base de comparação mais elevada.
A rentabilidade deve permanecer estável, já que a maior alavancagem operacional tende a ser neutralizada por um aumento das despesas administrativas após a recente reestruturação corporativa. Nesse cenário, o banco projeta margem EBITDA ajustada de 37,6%, praticamente inalterada na comparação anual. O FCFE estimado para 2026 é de R$ 341 milhões, equivalente a um yield de 16%.
Ânima (ANIM3)
Para a Ânima, o Itaú BBA reiterou recomendação de compra e elevou o preço-alvo de R$ 5 para R$ 7. O banco estima receita líquida consolidada de R$ 4,211 bilhões em 2026, com aceleração do crescimento à medida que o segmento Core retoma a expansão da base de alunos e os programas híbridos ganham escala. O desempenho sólido da Inspirali deve compensar a fraqueza do ensino a distância.
A lucratividade tende a permanecer estável, já que ganhos de eficiência devem ser reinvestidos para aprimorar a experiência dos estudantes. Assim, a margem EBITDA ajustada projetada é de 37,2%, praticamente estável em relação ao ano anterior. O FCFE esperado para 2026 é de R$ 249 milhões, equivalente a um yield de 13%.
Ser Educacional (SEER3)
O Itaú BBA manteve recomendação neutra para a Ser Educacional e elevou o preço-alvo de R$ 12 para R$ 14. O banco projeta crescimento de 6,5% da receita líquida em 2026, sustentado pelo bom desempenho das matrículas presenciais. Em contrapartida, o ingresso no ensino a distância deve recuar em razão das restrições regulatórias e da migração de alunos para programas híbridos.
A rentabilidade deve apresentar melhora, impulsionada por ganhos operacionais e pelo amadurecimento dos cursos de medicina recentemente autorizados. Nesse contexto, a margem EBITDA ajustada estimada é de 25,6% em 2026, alta de 1,0 ponto percentual em relação ao ano anterior. O FCFE projetado é de R$ 211 milhões em 2026, equivalente a yield de 15%.
Visão Bolso do Investidor
As revisões de recomendação e preço-alvo para empresas do setor educacional refletem uma leitura mais construtiva sobre geração de caixa, eficiência operacional e adaptação ao novo ambiente regulatório. Para investidores, o destaque dado a métricas como margem EBITDA, fluxo de caixa livre e exposição ao ensino presencial ajuda a compreender quais modelos de negócio tendem a se beneficiar no médio prazo, em um setor marcado por mudanças estruturais e consolidação.
Fontes:
- InfoMoney
