Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 27/10/2025

Introdução
As eleições legislativas de 26 de outubro na Argentina mostraram-se um verdadeiro teste de poder para o governo do presidente Javier Milei. A vitória de seu partido, La Libertad Avanza, expandiu sua presença no Congresso e indicou um fortalecimento de sua agenda de reformas. Para os investidores, o resultado reduz parte da incerteza política do país — mas também acende sinal de alerta sobre o ritmo e o conteúdo das mudanças que vêm pela frente.
Desenvolvimento
Na votação, o partido La Libertad Avanza conseguiu obter cerca de 40,8% dos votos, ante aproximadamente 31,6% da principal coalizão de oposição, segundo projeções preliminares. Esse desempenho marca um avanço significativo para Milei, cujo governo enfrentava resistência em diversos segmentos do Congresso e via sua capacidade de implementar reformas como debilitada. A eleição colocou em disputa 127 das 257 cadeiras da Câmara de Deputados e 24 das 72 cadeiras do Senado — ou seja, mais da metade da Câmara e um terço do Senado estavam em jogo.
O sistema eleitoral argentino para essas casas exige que os eleitores escolham listas partidárias em cada província, com sistema proporcional para a Câmara de Deputados e regras específicas para o Senado (em que o partido mais votado em cada distrito leva duas cadeiras e o segundo mais votado leva a terceira). A data da eleição correspondeu ao ciclo regular, pois no sistema argentino as eleições legislativas ocorrem a cada dois anos para renovar parte dos mandatos — permitindo que a composição do Congresso seja atualizada sem interromper inteiramente o funcionamento da casa legislativa.
Com essa base reforçada, o governo de Milei ganha mais capilaridade para aprovar projetos que exigem maioria legislativa — especialmente reformas econômicas, mudanças na estrutura estatal e políticas de austeridade ou liberalização. O contexto econômico argentino, porém, segue desafiador, com inflação alta, câmbio volátil e dependência de ajuda externa, fatores que mantêm sob observação os investidores internacionais.
Análise do Bolso do Investidor
Para o investidor, há duas leituras principais com clareza e praticidade. Primeiro, a vitória de Milei reduz um risco fundamental: o de paralisia legislativa. Antes das eleições, havia muita apreensão de que seu governo não conseguiria aprovar reformas por falta de apoio no Congresso. Agora, com uma bancada ampliada, a agenda tem maior probabilidade de avançar — o que favorece empresas e setores ligados à liberalização, energia, infraestrutura e exportação. Segundo, apesar do avanço, isso não significa que todos os riscos desapareceram. A economia argentina ainda enfrenta inflação, câmbio instável e uma base de consumo fragilizada. Ou seja: o cenário melhora, mas continua sujeito a choque. Para quem investe ou considera exposição ao país, a dica é: olhe para ativos que se beneficiam se as reformas avançarem (ex.: bancos, exportadoras, concessões) e mantenha hedge ou cautela onde o risco econômico ainda pesa (ex.: consumo interno, crédito, moeda).
Fechamento
A eleição legislativa de 2025 marca um ponto de inflexão para a Argentina. O governo de Milei sai mais forte do parlamento, o que abre caminho para mudanças – mas essas mudanças trarão impacto real na economia e devem ser acompanhadas de perto. Para investidores, o momento é de atenção ativa: o “risco-construtivo” está mais visível — há expectativa maior, mas também prazo para entrega e condições econômicas que ainda exigem cuidado.
Fontes: Reuters; Al Jazeera; Wikipedia – Eleições na Argentina
