JPMorgan aponta suas 3 favoritas em energia e saneamento e reforça visão construtiva para utilities

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 01 de dezembro de 2025

O JPMorgan reforçou sua visão positiva para o setor de utilities no Brasil, englobando empresas de energia e saneamento, e revisou para cima suas estimativas e preços-alvo. Mesmo com esse otimismo, o banco adotou postura mais seletiva após a forte valorização do setor, que acumula alta de 60% em 2025, acima dos 30% registrados pelo Ibovespa no mesmo período.

No segmento de geração, o banco mantém preferência por hidrelétricas, avaliadas como as maiores beneficiadas em um ambiente de preços de energia mais altos. Já nas fontes renováveis, a perspectiva é de maior risco para os lucros. Em distribuição, o retorno regulatório segue atrativo, mas as avaliações estão mais apertadas e as expectativas, elevadas. Além disso, o posicionamento atual do setor pode trazer desafios em cenários extremos: um ambiente macroeconômico muito favorável pode provocar rotação para setores mais voláteis, enquanto uma piora da economia pode gerar saída de recursos de fundos locais.

Nesse contexto, o JPMorgan selecionou três ações como suas principais recomendações no setor:

  • Sabesp (SBSP3), pela geração de caixa de longo prazo e avanço consistente dos lucros
  • Copel (CPLE3), por combinar dividendos elevados com risco mais baixo
  • Eneva (ENEV3), vista como a empresa com maior opcionalidade de crescimento

Para investidores otimistas com o cenário macro, o banco também destaca Equatorial (EQTL3) e Axia (AXIA3) como empresas que podem se beneficiar de juros mais baixos e maior fluxo de capital para a Bolsa. Já entre as recomendações de menor exposição estão Cemig (CMIG4), Engie (EGIE3) e Taesa (TAEE11).

Copel (CPLE3)

A Copel é vista pelo banco como uma tese de risco mais baixo entre as favoritas. A empresa equilibra fluxo de caixa de longo prazo, semelhante ao da Sabesp, com dividendos de dois dígitos previstos entre 2026 e 2028, além de opcionalidade de crescimento, como a observada na Eneva. A Copel também deve se beneficiar de preços mais altos de energia, especialmente nas operações de geração hidrelétrica, e tende a apresentar menor volatilidade em seus resultados.

A companhia é considerada bem posicionada para oportunidades como os leilões de capacidade. No cenário-base do JPMorgan, a Copel negocia com taxa interna de retorno real de 10,6% e múltiplo de 11 vezes o lucro esperado para 2026. Com isso, o banco manteve recomendação de compra e preço-alvo de R$ 14,60.

Eneva (ENEV3)

A Eneva é apontada como o papel com maior potencial de alta dentro da cobertura do banco, principalmente devido às possibilidades de expansão. A realização do leilão de capacidade previsto para março de 2026 pode trazer resultados positivos tanto no volume de contratos quanto na remuneração regulatória.

O cenário-base do JPMorgan considera taxa interna de retorno real de 8,6% e incorpora apenas novos contratos para ativos existentes. O banco reiterou recomendação de compra e preço-alvo de R$ 21 por ação.

Sabesp (SBSP3)

A Sabesp continua entre as teses mais atrativas na visão do banco, sustentada por três fatores principais: crescimento consistente dos lucros, estimado em taxa anual composta de 24% entre 2025 e 2028; possibilidade de expansão por meio de novos leilões de saneamento; e valuation que o JPMorgan classifica como atrativo, com múltiplo de 12 vezes o lucro projetado para 2026.

Sob a ótica de retorno interno, com taxa real de 10,2%, a Sabesp ainda negocia com prêmio de risco acima da média do setor. Para o banco, isso não condiz com a escala, a qualidade da gestão e o perfil do negócio. A instituição elevou o preço-alvo para R$ 160 por ação em 2026, o que representa potencial de retorno total de 18% após atualização das projeções e redução do custo de capital próprio para 9% em termos reais.


Visão Bolso do Investidor

O relatório do JPMorgan reforça o peso estratégico do setor de utilities na carteira de muitos investidores brasileiros. Empresas de energia e saneamento tendem a oferecer previsibilidade, resiliência e dividendos consistentes, características valorizadas em cenários de maior volatilidade. Para o investidor, compreender como ciclos de preços, juros e regulação afetam cada segmento, geração, transmissão, distribuição e saneamento, é fundamental para avaliar riscos e retornos. Mesmo com perspectivas positivas, a recomendação de seletividade indica que, após forte valorização em 2025, a análise individual de fundamentos e de expectativas de fluxo de caixa será ainda mais importante em 2026.


Fontes:

  • Infomoney