Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 05 de janeiro de 2026

Aos 92 anos, o juiz federal Alvin K. Hellerstein será o responsável por conduzir o processo judicial contra Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, capturado por forças dos Estados Unidos no último sábado, dia 3. Maduro responderá a acusações relacionadas a narcoterrorismo e corrupção em um caso considerado inédito na história recente das relações internacionais.
Nascido em 1933, Alvin Hellerstein iniciou sua trajetória profissional como advogado do Exército dos Estados Unidos. Após esse período, atuou no setor privado antes de ingressar na magistratura federal. Em maio de 1998, foi indicado e confirmado pelo então presidente Bill Clinton para o cargo de juiz federal do Distrito Sul de Nova York. Desde 2011, exerce a função de juiz sênior na mesma corte.
A audiência envolvendo Maduro está marcada para esta segunda-feira, dia 5. Ele e a primeira-dama venezuelana, Cilia Flores, serão julgados sob acusações de conspiração para o narcoterrorismo e envolvimento com o cartel Los Soles. De acordo com a acusação, o Departamento de Justiça dos EUA sustenta que Maduro e aliados transformaram instituições do governo venezuelano em estruturas de corrupção voltadas ao tráfico internacional de drogas para benefício próprio.
O juiz Hellerstein já possui histórico de decisões relacionadas ao narcoterrorismo venezuelano. Em 2014, ele condenou o ex-general do Exército da Venezuela Cliver Antonio Alcalá Cordones a 21 anos e seis meses de prisão por apoio a atividades de narcoterrorismo. Na ocasião, o militar foi acusado de atuar como um dos gestores do cartel Los Soles, organização que as autoridades americanas afirmam ser liderada por Maduro.
Apesar da expectativa de que Hellerstein mantenha uma linha dura no caso atual, analistas jurídicos apontam que o desfecho do julgamento é incerto. Trata-se da primeira vez que um presidente é processado por outro país por crimes ligados ao tráfico internacional de drogas. A defesa de Maduro deve argumentar que sua condição de chefe de Estado à época dos fatos impediria o julgamento por atos praticados durante o mandato em jurisdição estrangeira.
Trajetória do magistrado
Ao longo de sua carreira, Alvin Hellerstein presidiu casos de grande repercussão nacional e internacional. Entre os mais emblemáticos estão processos relacionados aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, além de ações ligadas à segurança nacional, disputas financeiras de grande porte e processos civis amplamente acompanhados pela opinião pública.
O magistrado também esteve à frente de casos envolvendo figuras conhecidas do cenário político e empresarial dos Estados Unidos. Entre eles, o processo por assédio sexual contra o produtor de cinema Harvey Weinstein, bem como o julgamento de Michael Cohen, ex-advogado do presidente Donald Trump.
Outro caso de destaque em sua trajetória foi a ação movida pela atriz Stormy Daniels, que acusava Trump de suborno para garantir silêncio sobre um relacionamento extraconjugal. Nos últimos anos, Hellerstein também assinou decisões que contrariaram políticas do governo Trump, incluindo sentenças que bloquearam deportações de imigrantes e a rejeição de recursos em processos relacionados a alegações de falsificação de registros comerciais.
Visão Bolso do Investidor
O julgamento de Nicolás Maduro sob a condução de um magistrado experiente como Alvin Hellerstein reforça a dimensão jurídica e institucional do atual conflito geopolítico envolvendo Estados Unidos e Venezuela. Processos dessa natureza podem gerar repercussões políticas, diplomáticas e econômicas relevantes, influenciando sanções, relações comerciais e a percepção de risco em mercados emergentes. Para investidores, acompanhar o andamento do caso ajuda a compreender como decisões judiciais em grandes potências podem afetar o ambiente internacional, fluxos de capital e a estabilidade política em regiões estratégicas.
Fontes:
- InfoMoney
