La Niña volta ao radar e pode pressionar economia brasileira e preços de commodities

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 17 de dezembro de 2025

A confirmação do retorno do fenômeno climático La Niña reacende alertas para a economia global e, especialmente, para o Brasil. O resfriamento das águas do Pacífico, que ocorre pela quinta vez em seis anos, está historicamente associado a eventos climáticos extremos, como secas no Sul e Centro-Oeste do país e excesso de chuvas em outras regiões, afetando diretamente a produção agrícola, a inflação e setores ligados a commodities.

Segundo dados compilados por seguradoras globais, episódios recentes de La Niña já provocaram perdas econômicas que variaram entre US$ 258 bilhões e US$ 329 bilhões no mundo. No Brasil, o principal risco está na irregularidade das chuvas em regiões produtoras de soja, milho e café, culturas altamente sensíveis ao regime hídrico.

Meteorologistas apontam que o Sul do país pode enfrentar períodos mais secos, enquanto o Centro-Norte tende a ter chuvas mal distribuídas. Esse cenário aumenta a incerteza sobre produtividade agrícola, custos de produção e logística, fatores que impactam diretamente o preço dos alimentos e o desempenho das exportações.

No mercado internacional, a La Niña também costuma influenciar a oferta global de grãos, elevando a volatilidade de preços. Estudos indicam que o fenômeno está associado a quedas na produtividade de milho, arroz e trigo, o que tende a pressionar preços internacionais e favorecer movimentos especulativos em commodities agrícolas.

Além do agro, o setor de energia também entra no radar. Temperaturas mais baixas no hemisfério norte elevam a demanda por energia, enquanto chuvas irregulares no Brasil podem afetar a geração hidrelétrica, aumentando o uso de termelétricas e pressionando custos.

Visão Bolso do Investidor

A La Niña adiciona uma camada extra de risco ao cenário econômico brasileiro em 2025 e 2026. Para investidores, o fenômeno tende a aumentar a volatilidade em ativos ligados ao agronegócio, energia e inflação. Commodities agrícolas podem se beneficiar de eventuais choques de oferta, enquanto empresas dependentes de custos energéticos ou consumo interno podem enfrentar maior pressão. Em momentos como esse, diversificação, atenção ao ciclo climático e acompanhamento de dados de produção e clima tornam-se ainda mais relevantes para decisões de investimento mais conscientes e alinhadas ao risco.

Fontes: Infomoney