Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data de publicação: 25/09/2025
Quando Larry Ellison completou 81 anos, muitos esperavam que ele desacelerasse. Mas longe disso: ele deu um passo estratégico surpreendente ao migrar parte de seu poder financeiro da tecnologia para o mundo da mídia. Ele não apenas reforça sua presença pública: ele entra como protagonista em plataformas de conteúdo, posicionando-se como magnata da mídia em um momento em que os fluxos de informação moldam poder e influência.
Da Oracle à cobertura artística e editorial
Ellison segue como figura central na Oracle — ocupa mais de 40% das ações e é diretor tecnológico — enquanto trilha novos caminhos de investimento que combinam tecnologia, mídia e poder de influência. Ele já controlava uma relação significativa com o TikTok americano por meio da infraestrutura em nuvem que fornece à plataforma nos EUA — um elo que hoje vai além da técnica: participa da estratégia de consumir conteúdo. Esse movimento o leva a ter acesso direto ao lado editorial e comercial da plataforma.
A nova versão do TikTok nos EUA é uma peça chave nessa estratégia. O nome de Trump, do setor político e da mídia se entrelaça nesse cenário: a legislação exigiu que a chinesa ByteDance se desfaça da operação americano do TikTok, sob argumento de segurança nacional, e parcerias com atores simpáticos ao ex-presidente e grandes players da mídia americana (como Murdoch) tomam forma nos bastidores.
Expansão de influência via aquisições
A estratégia midiática da família Ellison não se limita ao TikTok. O filho de Larry, David Ellison, avança fortemente na construção de um império de mídia tradicional e digital. Ele esteve por trás de uma fusão bilionária envolvendo Paramount e CBS, avaliada em US$ 8 bilhões, e negociações em curso envolvem a Warner e a CNN, fortalecendo a ideia de um conglomerado de alcance global em conteúdo.
Com isso, Larry Ellison se distancia da imagem de magnata técnico para dentro de um perfil híbrido: ele deixa de ser apenas fornecedor de tecnologia e busca controle de narrativas — algo que poucos bilionários ousam fazer em escala tão ampla.
Risco regulatório e simbiose política
O momento para essa guinada é especialmente oportuno. A exigência do Congresso americano de que a ByteDance venda o TikTok nos EUA colocou o ambiente regulatório sob pressão. A entrada de Ellison e de parceiros próximos ao meio político cria um terreno menos hostil para negociações desse porte. No entanto, como os detalhes sobre distribuição acionária, controle executivo e divisão de poder estão nebulosos, existe grande incerteza no ar.
Ainda assim, a aliança entre capital, estados e mídia desenha um modelo de poder moderno: quem controla a plataforma controlada pelos usuários e pelos algoritmos centraliza influência em níveis antes reservados a gigantes do conteúdo.
Visão de legado e instabilidade filantrópica
Ellison também aposta alto no campo científico e tecnológico por meio do Ellison Institute of Technology, sediado em Oxford. Ele busca transformar o instituto em um meio de deixar um legado duradouro. Mas nem tudo anda bem: a recente saída do cientista John Bell da direção evidencia “turbulências internas”, com críticas às práticas de gestão e ao modelo de operação.
Bell alegou desafios junto à cultura científica britânica e divergências sobre como operacionalizar pesquisa de modo comercial. O próprio Ellison admitiu operar com frequência no dia a dia do instituto. Para alguém que combina visão audaciosa e controle de capital, essa instabilidade revela que liderar um império de ciência exige habilidades diferentes das exigidas para tecnologia ou mídia.
Fortunas, riscos e o novo palco de poder
O salto de Ellison no mercado de mídia se apoia em sua fortíssima posição financeira. A valorização recente da Oracle — de aproximadamente US$ 100 bilhões — elevou seu patrimônio para cerca de US$ 367 bilhões, chegando a flertar com o topo do ranking global de bilionários.
Isso dá a ele liberdade para investir pesado e ousar movimentos que muitos considerariam arriscados. O que poucos imaginavam até pouco tempo é que um magnata de banco de dados pudesse se tornar rival de antigos titãs de imprensa, com controle sobre plataformas de vídeo, canais tradicionais (como a CNN e a Warner) e um instituto de pesquisa global.
O poder de Ellison agora não é só tecnologia ou capital — é narrativa e influência. O que ele constrói pode redefinir como mídia e conteúdo convergem no século XXI, colocando-o no seleto (e arriscado) grupo dos magnatas de mídia moderna.
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