Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 20 de dezembro de 2025

Projetos de mineração de terras raras no Sul de Minas Gerais deram um passo relevante nesta sexta-feira após receberem licença prévia para avançar na fase de desenvolvimento. As autorizações foram concedidas por unanimidade pela Comissão de Atividades Minerárias (CMI) do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam), em reunião que se estendeu por mais de sete horas.
Os projetos pertencem às mineradoras australianas Viridis Mining and Minerals e Meteoric Resources, com áreas localizadas nos municípios de Poços de Caldas e Caldas. A análise havia sido inicialmente prevista para novembro, mas foi retirada da pauta após pedidos de complementação de informações por órgãos técnicos, incluindo o Ministério Público Federal.
O projeto da Viridis, denominado Colossus, abrange uma área de 228,62 quilômetros quadrados de licenças de lavra em Poços de Caldas. A iniciativa tem como foco a extração de argilas de adsorção iônica, utilizadas na produção de terras raras, um grupo de 17 elementos químicos estratégicos para cadeias industriais ligadas à transição energética e à tecnologia, como veículos elétricos, turbinas eólicas, baterias, celulares e equipamentos eletrônicos avançados.
Já o projeto da Meteoric recebeu o nome de Caldeira e também está voltado à exploração desses minerais no Sul de Minas. Após a aprovação da licença prévia, a Viridis afirmou, em comunicado ao mercado, que seguirá prestando esclarecimentos técnicos às autoridades ambientais e dará sequência às próximas etapas do licenciamento, incluindo a elaboração de projetos executivos e a implementação de programas de controle ambiental.
A movimentação ocorre em um contexto global de crescente disputa por terras raras. Atualmente, a China concentra a maior parte da produção mundial desses elementos, o que tem levado países e empresas a buscar alternativas por razões estratégicas, industriais e geopolíticas. O avanço de projetos no Brasil, especialmente em regiões com histórico mineral consolidado, passa a ganhar relevância nesse cenário.
Visão Bolso do Investidor
A concessão da licença prévia para projetos de terras raras em Minas Gerais reforça o posicionamento do Brasil como potencial fornecedor de insumos críticos para a nova economia global, especialmente ligada à transição energética e à tecnologia. Embora a etapa ainda não represente produção imediata, o avanço regulatório reduz incertezas e destrava valor de longo prazo para os projetos.
Para o investidor, o tema das terras raras ganha importância crescente à medida que se intensifica a disputa geopolítica por cadeias de suprimento mais diversificadas e seguras. Projetos bem localizados, com licenciamento ambiental avançando e respaldo institucional, tendem a atrair atenção de grandes players e parceiros estratégicos ao longo do tempo. O impacto econômico, porém, depende da execução, do controle ambiental e da viabilidade operacional nas próximas fases.
Fontes:
- InfoMoney
- Estadão
