Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19 de novembro de 2025

A liquidação extrajudicial voltou ao centro do debate após o Banco Central decretar o encerramento das operações do Banco Master. A medida, adotada nesta terça-feira (18), ocorre quando a autoridade monetária identifica que uma instituição financeira entrou em insolvência ou não possui condições viáveis de recuperação, cenário que exige sua retirada organizada do Sistema Financeiro Nacional.
Essa modalidade de resolução é uma das ferramentas previstas pelo Banco Central para proteger o sistema financeiro, evitar efeitos em cadeia e preservar os interesses dos credores. No caso do Master, o BC citou grave comprometimento econômico-financeiro e a ausência de um plano capaz de reestruturar a instituição.
O que é liquidação extrajudicial
A liquidação extrajudicial é um regime especial de intervenção previsto na Lei nº 6.024, de 13 de março de 1974. Diferente da intervenção tradicional, que ainda busca salvar a instituição, a liquidação tem como objetivo encerrar as atividades de forma definitiva, garantindo que o processo seja organizado, transparente e com proteção aos credores e ao sistema financeiro. Quando decretada, a instituição deixa imediatamente de operar. Um liquidante é nomeado pelo Banco Central para assumir o controle total da empresa, realizar o levantamento de dívidas, identificar os credores e administrar o patrimônio restante até a liquidação completa.
O que muda quando o BC decreta a liquidação
A legislação determina que, a partir do momento da decretação, passam a valer medidas automáticas que congelam a situação financeira da instituição. Obrigações vencidas deixam de ser exigíveis, o prazo de dívidas contratadas fica suspenso e os depósitos existentes tornam-se temporariamente indisponíveis. A intenção é impedir uma corrida bancária e permitir que o liquidante avalie com precisão o passivo e o ativo da instituição. Além disso, os administradores ficam com seus bens indisponíveis até a apuração final das responsabilidades — medida que busca evitar dissipação patrimonial em processos de apuração de gestão temerária ou irregularidades.
Como funciona o processo e quem é protegido
Durante a liquidação, o liquidante faz o levantamento dos credores e envia a base para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que se torna responsável por ressarcir os investidores enquadrados nas regras de garantia. Cada credor pode receber até o limite estipulado pelo FGC por CPF ou CNPJ por instituição, desde que os produtos sejam cobertos pelo fundo. Esse mecanismo é fundamental para evitar danos maiores ao sistema financeiro e preservar a confiança dos depositantes. Em paralelo, o Banco Central supervisiona todo o processo, enquanto o patrimônio da instituição é usado para pagar credores na ordem legal definida.
Liquidação extrajudicial e o caso do Banco Master
A liquidação do Banco Master já era sinalizada pelo forte desequilíbrio financeiro da instituição e pela falta de um plano capaz de reverter a deterioração de seu balanço. A decisão do BC foi tomada no contexto de riscos crescentes e de preocupações com continuidade operacional, além de potenciais impactos sobre clientes e o próprio sistema financeiro. Com o regime decretado, o Master deixa oficialmente de operar, e todos os procedimentos passam ao comando do liquidante nomeado pelo Banco Central.
Visão Bolso do Investidor
Para o investidor, a liquidação extrajudicial reforça a importância de entender o risco das instituições financeiras antes de investir — especialmente aquelas que oferecem taxas muito acima do mercado. O FGC atua como uma camada de proteção importante, mas não cobre todos os produtos nem substitui a análise cuidadosa da solidez da instituição. Eventos como o do Master mostram como o risco de crédito é real e precisa ser considerado em qualquer estratégia, especialmente em momentos de juros altos e competição agressiva entre bancos médios. Diversificação e prudência seguem sendo os pilares da proteção patrimonial.
Fontes: Infomoney
