Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 28 de outubro de 2025

A temporada de resultados dos grandes bancos brasileiros promete movimentar o mercado nesta semana. Os números do terceiro trimestre de 2025 (3T25) devem mostrar um cenário de lucros consistentes, ajustes estratégicos e recuperação gradual da rentabilidade, com destaque para as divulgações de Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4), que abrem o calendário na quarta-feira (29).
O Santander Brasil divulgará seu resultado antes da abertura do mercado, enquanto o Bradesco trará seus números após o fechamento do pregão. Na sequência, o Itaú Unibanco (ITUB4) reportará em 4 de novembro, e o Banco do Brasil (BBAS3) encerrará a rodada em 12 de novembro.
Santander: estabilidade e lucros pressionados
De acordo com a XP Investimentos, o Santander deve repetir o desempenho dos semestres anteriores, com crescimento fraco na carteira expandida e avanço concentrado em linhas de crédito para pessoas físicas, especialmente veículos e cartões. Já o agronegócio e o crédito consignado mantêm ritmo mais lento, e o segmento corporativo deve permanecer estável, afetado pela variação cambial.
O banco segue entre as recomendações positivas do JPMorgan, embora o foco de preferência tenha migrado para o Nubank (BDR: ROXO34). Os analistas citam como ponto de atenção a queda no ritmo de empréstimos e nas receitas de juros (NII), além do risco de revisão negativa nas projeções.
Entre os fatores positivos estão as receitas de tarifas e o controle de despesas operacionais, o que deve sustentar um lucro gerencial estimado em R$ 3,8 bilhões, crescimento de 4% em relação ao trimestre anterior, com ROE de 16,6%.
O Goldman Sachs, porém, mantém visão mais cautelosa, destacando o aumento do custo de risco e a desaceleração do crédito como desafios que podem pressionar os lucros, razão pela qual o banco mantém recomendação de venda para o papel.
Bradesco: reestruturação sustenta recuperação
O Bradesco (BBDC4) deve confirmar um movimento de recuperação consistente. A Genial Investimentos projeta lucro recorrente de R$ 6,3 bilhões, avanço de 4,3% em relação ao trimestre anterior e de 21% na comparação anual, com ROE de 14,6%.
Segundo a análise, o resultado reflete os efeitos do plano de reestruturação que o banco vem executando — fechamento de agências, enxugamento de quadro de pessoal, digitalização do varejo tradicional e foco crescente em clientes de alta renda.
A Genial projeta que a rentabilidade deve superar o custo de capital de forma sustentável a partir de 2026, com lucro líquido anual estimado em R$ 24,7 bilhões (+26,3% ante 2024).
A XP reforça a leitura positiva e destaca a expansão do crédito para pequenas e médias empresas (PMEs) e a retomada gradual do consignado privado. O segmento de seguros também deve manter desempenho sólido, contribuindo para margens financeiras melhores.
O Goldman Sachs prevê que o Bradesco será o destaque entre os pares, com a maior expansão trimestral de lucros (+4%). O banco internacional revisou sua recomendação de “venda” para “neutra” e ajustou o preço-alvo para R$ 17, citando melhora na geração de capital e rentabilidade.
Banco do Brasil: rentabilidade pressionada e inadimplência rural
A Genial espera um trimestre mais desafiador para o Banco do Brasil (BBAS3), com ROE abaixo de 10%, mesmo com suporte regulatório. O aumento da inadimplência rural, ligado a eventos climáticos e à concentração de vencimentos da safra, deve pesar sobre os lucros.
O banco pode se beneficiar parcialmente da Medida Provisória 1.314, que cria linhas de renegociação de dívidas para produtores afetados, mas a não aprovação pelo Congresso limitaria o alcance da medida.
A estimativa é de lucro líquido de R$ 3,4 bilhões, queda de 9,4% na comparação trimestral e de 64% frente ao mesmo período de 2024, com ROE de 7,4%.
O Goldman Sachs e a XP alertam que o risco agro segue elevado e que o banco ainda enfrenta compressão de margens, mesmo com crescimento de crédito de 9% na base anual — acima do limite superior do guidance revisado.
Itaú: eficiência e solidez seguem como trunfos
O Itaú Unibanco (ITUB4) deve manter sua liderança de rentabilidade no setor. O Goldman Sachs projeta ROE de 22,4%, sustentado por índice de capital de 13,1%, o que reforça a avaliação “premium” do banco.
A Genial também mantém visão construtiva, com expectativa de crescimento de lucros em dois dígitos e expansão gradual do retorno sobre patrimônio. O foco para os próximos trimestres será eficiência operacional, por meio da redução de agências, otimização de pessoal e monetização do Super App One Itaú, que já mostra tração.
A XP considera o Itaú o “player mais sólido do setor”, ainda que sem grandes surpresas no 3T25. O crescimento da carteira deve vir de PMEs, enquanto o crédito imobiliário para pessoas físicas desacelera, mas ainda acima das metas anuais.
Visão do Bolso do Investidor
O terceiro trimestre de 2025 marca uma divergência entre consolidação e recuperação entre os grandes bancos. Itaú segue como líder de eficiência e lucratividade; Bradesco dá sinais de virada sustentada; Santander enfrenta pressões de rentabilidade; e Banco do Brasil encara o peso do crédito rural. Para o investidor, a leitura é de um setor bancário em reequilíbrio — ainda sólido, mas com oportunidades distintas em cada instituição, dependendo do perfil de risco e horizonte de investimento.
Conclusão
Com o início da temporada de resultados, o foco do mercado estará na capacidade dos grandes bancos de manter margens, reduzir inadimplência e gerar eficiência diante de um cenário de juros mais estáveis. O desempenho do Itaú deve continuar como referência para o setor, enquanto Bradesco e Santander buscam consolidar melhorias e o Banco do Brasil tenta mitigar os impactos da inadimplência agrícola.
Fontes:
- InfoMoney
