Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13/10/2025

Proposta de taxação global para enfrentar a insegurança alimentar
Durante o Fórum Mundial da Alimentação, realizado em Roma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de um imposto global de 2% sobre os ativos dos super-ricos como forma de financiar o combate à fome no mundo. Segundo ele, o tributo teria potencial para arrecadar cerca de US$ 315 bilhões por ano, valor suficiente para garantir três refeições diárias a mais de 673 milhões de pessoas que vivem em situação de insegurança alimentar.
Lula afirmou que a concentração de riqueza é um dos principais obstáculos para o desenvolvimento global e que é preciso adotar mecanismos que redistribuam recursos de maneira mais justa. Para o presidente, a fome é uma escolha política — e não um problema de falta de recursos.
Desigualdade e fome: desafios que caminham juntos
Em seu discurso, Lula destacou que a fome não pode ser dissociada das desigualdades sociais, econômicas e de gênero. Ele reforçou que países ricos e em desenvolvimento enfrentam realidades distintas, mas que o combate à fome deve ser tratado como responsabilidade coletiva da comunidade internacional.
O presidente também defendeu uma reforma da arquitetura financeira global, com novas regras para empréstimos, perdão de dívidas de países mais pobres e a modernização dos sistemas tributários. Segundo ele, a atual estrutura econômica mundial favorece a concentração de renda e limita a capacidade de investimento dos países em políticas sociais e de segurança alimentar.
Viabilidade política e resistências esperadas
A proposta de criação de um imposto global sobre os super-ricos, embora simbólica, enfrenta desafios significativos no campo diplomático e político. A implementação de um tributo dessa natureza exigiria consenso entre as principais economias do mundo, além de mecanismos multilaterais de fiscalização e redistribuição dos recursos.
Países com grandes centros financeiros e patrimônio concentrado tendem a resistir à ideia, temendo fuga de capitais e impacto sobre seus sistemas fiscais. Ainda assim, a proposta reforça o papel do Brasil como voz ativa na defesa de maior justiça tributária e solidariedade internacional.
Impacto e repercussão global
O discurso de Lula foi bem recebido por parte das delegações presentes, sobretudo de países em desenvolvimento, que enxergam na proposta uma tentativa concreta de equilibrar a balança global de recursos. No entanto, analistas ressaltam que a discussão deve se arrastar por anos, dada a complexidade política e a necessidade de negociações multilaterais com organismos como ONU, FMI e OCDE.
A proposta também se alinha a uma tendência crescente de debates internacionais sobre tributação de grandes fortunas, tema que tem ganhado força após o aumento das desigualdades globais e o crescimento dos bilionários durante a última década.
Conclusão
A defesa de um imposto global sobre os super-ricos coloca o Brasil em evidência no cenário internacional e reforça a agenda social do governo Lula em fóruns globais. Mais do que um gesto político, a proposta busca reacender o debate sobre a concentração de riqueza e a responsabilidade das nações desenvolvidas na erradicação da fome.
Para o investidor, o movimento sinaliza uma crescente pressão internacional por reformas tributárias e redistributivas. Embora de difícil aplicação prática, o tema pode influenciar discussões sobre impostos sobre grandes fortunas, investimentos sustentáveis e políticas de inclusão social nos próximos anos.
Fontes: InfoMoney –
