Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24 de fevereiro de 2026

O JPMorgan revisou suas projeções para o Magazine Luiza (MGLU3) e manteve a recomendação equivalente à venda para as ações da companhia. O banco reduziu o preço-alvo de R$ 6,50 para R$ 6 por ação, valor cerca de 42% inferior ao fechamento mais recente do papel, que estava em R$ 10,37. Apesar do corte, o desempenho recente da ação ainda é positivo: os papéis acumulam alta próxima de 19% em 2026 e cerca de 65% nos últimos doze meses.
Segundo os analistas, a visão mais cautelosa decorre principalmente do cenário operacional ainda desafiador para o varejo. O consumo permanece pressionado, a concorrência continua elevada e o balanço da empresa segue bastante alavancado. A projeção do banco é que a dívida líquida ajustada permaneça entre quatro e cinco vezes o Ebitda nos próximos anos, nível considerado alto para o setor e que pode limitar a capacidade competitiva da companhia mesmo em um ambiente de queda de juros.
Crescimento limitado mesmo com juros menores
O banco reconhece que 2026 tende a ser um ano melhor para as categorias de eletrônicos, principal segmento do Magazine Luiza, impulsionado pela redução gradual das taxas de juros e pelo aumento da demanda associado à Copa do Mundo. Ainda assim, a expectativa é de expansão modesta.
O JPMorgan projeta crescimento do volume bruto de mercadorias (GMV) próximo de 6%, ritmo inferior ao observado historicamente em ciclos de recuperação econômica. A estratégia da companhia de priorizar rentabilidade, em vez de crescimento acelerado, também contribui para esse avanço mais lento e amplia a distância em relação ao líder do comércio eletrônico brasileiro, o Mercado Livre.
Mesmo com alguma melhora operacional, a margem Ebitda estimada para 2026 deve permanecer praticamente estável, em torno de 7,8%. Ganhos vindos da expansão de serviços e da recuperação do marketplace (modelo 3P) tendem a compensar apenas parcialmente a pressão nas vendas de mercadorias.
Lucros ainda distantes
O banco avalia que a redução mais significativa da pressão sobre resultados só deve ocorrer a partir de 2027, quando a queda dos juros poderá beneficiar de forma mais clara o resultado financeiro da empresa. Até lá, o lucro deve continuar relativamente comprimido.
Após a revisão das estimativas, o JPMorgan reduziu sua projeção de Ebitda para 2026 e cortou em 45% a estimativa de lucro por ação para o período. Para os analistas, mesmo em um cenário de juros menores, o papel ainda negocia com prêmio elevado em relação aos concorrentes do varejo.
Concorrência aumenta o risco
Outro ponto de preocupação destacado é o ambiente competitivo. A Casas Bahia passou a contar com estrutura financeira mais flexível e firmou parceria estratégica com o Mercado Livre para vender produtos de estoque próprio na plataforma. Ao mesmo tempo, o Magazine Luiza mantém postura menos agressiva em promoções, o que pode prejudicar o ganho de participação de mercado.
No comércio eletrônico, a diferença de escala também pesa. O Mercado Livre continua crescendo entre 25% e 30% ao ano sobre uma base muito maior de vendas, enquanto o Magalu ainda enfrenta dificuldades para acompanhar o ritmo.
Diante desse cenário, o banco conclui que o potencial de valorização das ações é limitado no curto prazo e que a companhia permanece exposta a riscos competitivos e financeiros relevantes.
Visão Bolso do Investidor
Esse tipo de relatório costuma impactar bastante ações de varejo porque o setor é altamente dependente de juros e crédito. O Magazine Luiza não é apenas uma empresa de comércio eletrônico — é, na prática, uma empresa sensível ao ciclo econômico brasileiro.
Quando os juros sobem, o financiamento ao consumidor encarece, as vendas de bens duráveis caem e o custo da dívida da companhia aumenta ao mesmo tempo. Quando os juros caem, ocorre o inverso, mas esse efeito demora a aparecer no lucro.
Por isso, muitas vezes o mercado antecipa demais a recuperação. A ação sobe antes do resultado melhorar. O risco, nesses casos, é o investidor pagar caro esperando uma melhora que só chega anos depois.
O caso do Magalu ilustra bem um conceito importante: empresas boas nem sempre são bons investimentos no preço atual. Em ciclos de recuperação econômica, timing e valuation costumam ser mais determinantes que crescimento de receita isoladamente.
Fontes:
- InfoMoney
