Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 18 de novembro de 2025

O mercado mundial de relógios de alto padrão segue em ritmo acelerado. Somente em 2025, o setor movimentou US$ 126,9 bilhões — cerca de R$ 676 bilhões na cotação de 17 de novembro — e metade desse valor veio de produtos de luxo. As projeções da Statista apontam crescimento anual de 5,7% até 2030, mantendo o segmento como um dos mais fortes da indústria global.
Nesse cenário dominado por tradicionais marcas suíças, a brasileira Acto quer ocupar um espaço relevante no mapa da relojoaria premium. A empresa, fundada por Thiago Chiká em 2020, anunciou a entrada de Thiago Nigro (Primo Rico) e seus sócios do Grupo Primo como investidores minoritários — negociação fechada em setembro, após o primeiro contato em abril. Os valores do aporte não foram divulgados.
Segundo Chiká, o acordo não é um modelo de mídia por equity nem um investimento-anjo. Trata-se de uma sociedade estruturada com mentoria ativa, voltada para acelerar o crescimento orgânico da marca. “Nosso sonho grande é que a Acto se torne a marca brasileira mais desejada e chegue em 2030 valendo mais de R$ 1 bilhão”, afirmou.
Desenvolvimento e produção
A Acto mantém uma equipe interna de design responsável pela criação dos modelos. As especificações técnicas são enviadas para fábricas na China, homologadas e auditadas por empresas suíças. Os componentes são importados para o Brasil, onde os relógios são montados em uma fábrica terceirizada em Manaus, no Amazonas.
Em apenas alguns anos de atuação, a marca já realizou colaborações com nomes relevantes como:
- Patricia Bonaldi, estilista e fundadora da PatBo
- Felipe Drugovich, piloto brasileiro
- Erich Shibata, diretor criativo da Cimed
Com ticket médio próximo a R$ 10 mil, a Acto vendeu entre 1.000 e 1.300 peças em 2024 e projeta mais que dobrar esse volume para 2.700 unidades em 2026.
Força do Grupo Primo na expansão
O Grupo Primo, avaliado em mais de R$ 1 bilhão após aporte recente da XP, deve contribuir com capital, inteligência estratégica e acesso a uma ampla rede de investidores e especialistas. Para Chiká, a parceria representa mais que recursos financeiros: “É uma convergência de valores e propósito”, destacou.
O objetivo da nova sociedade é fortalecer governança, acelerar a expansão e consolidar a Acto como uma referência brasileira no mercado global masculino de luxo.
Visão Bolso do Investidor
Para quem acompanha o mercado de luxo e o universo de investimentos em marcas premium, o movimento da Acto revela um ponto importante: a construção de valor em segmentos de alto tíquete começa muito antes da escala — começa na marca. Quando uma empresa brasileira pretende competir em um setor dominado por suíços, ela precisa de diferenciação, governança e uma boa narrativa de origem.
A entrada do Grupo Primo reforça um sinal de confiança e de profissionalização, fatores que costumam destravar novas rodadas no futuro. Além disso, marcas de luxo trabalham com margens elevadas e forte poder de precificação, características que atraem investidores dispostos a olhar para o longo prazo.
Para empreendedores, o caso mostra como parcerias estratégicas podem acelerar posicionamento global. Para investidores, reforça a importância de acompanhar empresas com potencial de marca forte, margem alta e visão de longo prazo, mesmo antes de atingirem escala internacional.
Fontes:
- InfoMoney
