Menos ouro, mais real: Kinea ajusta carteira e mira ganhos com juros altos no Brasil

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 03/11/2025


Introdução

A gestora Kinea Investimentos anunciou, em sua carta mensal, que está reduzindo sua exposição ao ouro e mantendo, ao mesmo tempo, uma posição comprada no real brasileiro. A decisão reflete a leitura de que o momento torna o metal menos atraente e, ao mesmo tempo, destaca o diferencial de juros elevado no Brasil como fator de suporte para a moeda doméstica. 


Desenvolvimento

Segundo o documento divulgado pela Kinea, o ouro vinha sendo favorecido por um ambiente de cortes de juros nos Estados Unidos, déficits fiscais crescentes em várias economias e uma forte demanda de investidores pessoa-física. No entanto, a gestora percebeu que “fortes influxos de pessoa física” ampliaram a volatilidade do metal no curto prazo, o que reduziu sua atratividade como ativo de diversificação.

Com isso, a Kinea decidiu reduzir gradualmente sua participação em ouro — ruim em um momento em que o ativo vinha se beneficiando de incertezas, mas visto como menos favorável no cenário atual de juros ainda altos e economia global em transição.

No mercado doméstico, a gestora manteve ou até reforçou a posição comprada em real. Ele justifica que o diferencial de juros entre o Brasil e outras economias emergentes ou países desenvolvidos ajuda a sustentar a moeda brasileira, em especial enquanto o Banco Central do Brasil mantém a taxa Selic em patamares elevados. A expectativa é que o ciclo monetário vá se acomodando e que isso possa favorecer o real frente a moedas que já estão mais ajustadas.

Na parte de renda variável, a Kinea também realizou ajustes: reduziu exposição à Bolsa brasileira após forte valorização recente e direcionou parte do portfólio para ações dos Estados Unidos, com foco em empresas de tecnologia que se beneficiam da revolução da inteligência artificial. A gestora considera que o tema da IA segue sendo motor de crescimento nos EUA, sustentando seu apetite por esse segmento global.


Análise do Bolso do Investidor

A movimentação da Kinea traz lições relevantes para investidores que monitoram a alocação global de ativos e o impacto de juros e moedas. Primeiro, a redução da posição em ouro sugere que o metal — tradicionalmente visto como proteção contra incertezas — pode perder parte de seu brilho se partes do mercado entenderem que o ambiente de risco sistêmico está relativamente controlado ou que as taxas de juros elevadas reduzem sua vantagem (já que ouro não rende juros).

Em segundo lugar, a aposta no real traduz um reconhecimento de que países com taxas de juros mais elevadas podem atrair fluxo externo e reforçar suas moedas, desde que o cenário fiscal e macroeconômico se mantenha estável. No Brasil, esse pode ser o caso no curto prazo — o real pode se beneficiar caso o diferencial de juros persista e a inflação continue cedendo, dando ao investidor local uma vantagem relativa.

Por fim, a estratégia de mover capital para ações americanas de tecnologia reforça a visão de que o mundo entra em um ciclo liderado por inovação, IA e crescimento estrutural fora do Brasil. Para o investidor doméstico, isso significa que além de considerar o Brasil como parte da carteira, faz sentido explorar globalmente — especialmente em setores com vantagem competitiva internacional — e usar a moeda local e a renda fixa como âncoras.


Fechamento

A carta da Kinea revela que estamos em um momento de realinhamento estratégico de portfólio: menor destaque para ativos de “proteção pura” (como o ouro) em favor de apostas mais táticas — moedas com diferencial de juros e seleções de ações em mercados estruturadamente promissores.
Para quem investe — seja local ou globalmente — a mensagem é clara: é hora de observar não só os ativos, mas os contextos macro (juros, inflação, câmbio) que os sustentam, e ajustar a alocação em função dessas variáveis.


Fontes: InfoMoney.