Mercado de fusões no Brasil desacelera e segue 34% abaixo do auge de 2021, diz PwC

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 24/10/2025

O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) continua em ritmo moderado, ainda distante do recorde alcançado em 2021. Segundo levantamento da PwC, foram registradas 1.087 operações até setembro de 2025, número 19% menor que o do mesmo período de 2024 e 34,5% abaixo do auge de quatro anos atrás, quando o país somou 1.659 negócios.

O estudo indica que, embora o ambiente corporativo tenha mostrado resiliência diante do cenário econômico e político, a elevação do custo de capital, a incerteza fiscal e o enfraquecimento das expectativas de crescimento continuam limitando o apetite de empresas e fundos por novas aquisições.


Predomínio de compradores nacionais

Entre as operações concluídas em 2025, 884 foram realizadas por compradores nacionais e 203 por estrangeiros, mantendo o Brasil como principal protagonista das movimentações domésticas. A PwC aponta que, historicamente, os investidores locais representam mais de 80% das transações, reflexo da dificuldade de entrada de capital estrangeiro em setores regulados e do ambiente macro ainda volátil.

Dos 1.087 negócios, 877 envolveram compradores estratégicos, que adquiriram empresas para ampliar participação de mercado ou diversificar portfólio, enquanto 210 foram conduzidos por fundos de private equity.


Origem dos investimentos estrangeiros e setores mais ativos

Os Estados Unidos lideraram entre os países de origem de compradores internacionais, com 70 transações até setembro. A França aparece em segundo lugar, com 14 operações, seguida pelo Reino Unido, com 10.
A participação chinesa foi mais modesta: apenas cinco aquisições neste ano, somando 42 negócios no Brasil desde 2019, o que confirma o recuo dos investimentos asiáticos na região.

Setorialmente, tecnologia, mídia e telecomunicações concentraram 453 das 1.087 operações realizadas, mantendo a liderança em volume de transações. O segmento continua sendo o mais dinâmico da economia brasileira, impulsionado pela digitalização de processos, modernização de serviços e busca por eficiência operacional.


Comparativo histórico e fatores que explicam a retração

A PwC lembra que o pico de 2021 foi favorecido por condições de crédito mais baratas e pelo movimento global de liquidez em resposta à pandemia. Desde então, o aumento da taxa Selic e o ambiente de maior aversão ao risco reduziram o ritmo das negociações.
Com o capital mais caro e empresas mais cautelosas, o número de operações permanece em níveis estáveis, mas sem a euforia observada há quatro anos.

A consultoria também observa que, embora o apetite por fusões tenha diminuído, há sinais de reorganização estratégica em setores específicos, como infraestrutura, varejo e serviços financeiros, que podem retomar fôlego conforme o ciclo de juros avance para níveis mais baixos.


Visão do Bolso do Investidor

O cenário apresentado pela PwC reforça que o mercado de M&A no Brasil vive um período de consolidação e seletividade. Para o investidor, isso significa um ambiente onde as oportunidades existem, mas exigem análise mais criteriosa.

O menor volume de negócios revela cautela corporativa e foco em operações com sinergia comprovada, uma tendência típica de ciclos de juros altos. Ao mesmo tempo, o protagonismo do setor de tecnologia mostra que a transformação digital continua sendo o principal vetor de crescimento, tanto para empresas listadas quanto para fundos de investimento.

Para quem acompanha o mercado de capitais, vale observar grupos que utilizam aquisições estratégicas para reduzir custos, integrar operações e melhorar margens, sinais de eficiência que podem se traduzir em valorização futura das ações.


Conclusão

Mesmo com a desaceleração em relação ao auge de 2021, o mercado de fusões e aquisições no Brasil mantém uma base sólida, sustentada por empresas que buscam expansão orgânica e ajustes estruturais.
O movimento de retomada deve depender da redução consistente dos juros, do avanço das reformas econômicas e da melhora nas expectativas fiscais. Até lá, o investidor encontrará um ambiente de oportunidades pontuais — especialmente em setores inovadores e com capacidade de adaptação ao novo ciclo econômico.



Fontes: