Mercado Livre acelera uso de IA e promove cortes pontuais em equipes na América Latina

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13 de janeiro de 2026

O Mercado Livre promoveu a demissão de 119 funcionários na América Latina nos últimos dias, sendo 38 desligamentos no Brasil. As mudanças ocorrem em meio ao avanço do uso de ferramentas de inteligência artificial dentro da companhia, segundo informações publicadas pela imprensa.

De acordo com apuração da Folha de S.Paulo, a maior parte das demissões aconteceu na última quinta-feira (8) e atingiu principalmente áreas ligadas à experiência do usuário (UX). Dentro dessas equipes, os profissionais mais impactados teriam sido os chamados UX writers, responsáveis pela produção de textos e conteúdos voltados à navegação e interação dos usuários nas plataformas da empresa.

O Mercado Livre confirmou os desligamentos no Brasil, mas evitou associar diretamente as demissões à substituição de pessoas por sistemas de inteligência artificial. Em resposta ao InfoMoney, a companhia classificou o movimento como uma “medida pontual” e afirmou que ele não altera sua estratégia de crescimento no país ou na região.

Reorganização interna e uso de tecnologia

Em nota oficial, a empresa explicou que vem promovendo uma reestruturação nos perfis ligados à área de Experiência do Usuário, com o objetivo de integrar de forma mais eficiente Design e Conteúdo. Segundo o comunicado, a iniciativa busca criar estruturas mais ágeis e colaborativas, utilizando tecnologia para aprimorar a experiência oferecida aos usuários da plataforma.

“Como parte desse processo, 38 pessoas deixaram a companhia no Brasil. Trata-se de uma medida pontual que não altera nossa estratégia de crescimento no país nem na região”, afirmou a empresa.

Ainda segundo a Folha, funcionários ouvidos sob condição de anonimato relataram que os profissionais que permaneceram na companhia passarão a ter acesso ampliado a ferramentas de inteligência artificial. A expectativa interna é que designers assumam também funções relacionadas à escrita, com apoio dessas tecnologias.

IA já fazia parte da rotina da empresa

O Mercado Livre utiliza inteligência artificial há vários anos em áreas como logística, precificação, recomendação de produtos e prevenção a fraudes. Em 2025, a empresa teria dado um passo adicional ao exigir que os funcionários documentassem formalmente o uso de IA em suas rotinas de trabalho, com métricas acompanhadas por gestores.

Atualmente, o Mercado Livre conta com cerca de 55 mil funcionários no Brasil e aproximadamente 120 mil na América Latina. Somente em 2025, a companhia afirma ter criado 42 mil novas vagas na região, o que reforça o argumento de que os desligamentos recentes não representam uma mudança estrutural em sua política de expansão.

O movimento ocorre também em um momento de transição na liderança. Ao deixar o cargo de CEO no último ano, o fundador Marcos Galperin declarou que passaria a se dedicar a projetos ligados à inteligência artificial, sinalizando a centralidade do tema na estratégia futura da empresa.

Visão Bolso do Investidor

O caso do Mercado Livre ilustra uma tendência cada vez mais clara no mercado corporativo: a inteligência artificial não necessariamente elimina empresas ou estratégias de crescimento, mas redefine funções, competências e estruturas internas. Cortes pontuais, sobretudo em áreas ligadas à produção de conteúdo e processos repetitivos, tendem a coexistir com investimentos elevados em tecnologia e novas contratações em outros segmentos.

Para investidores, o ponto-chave não está no número absoluto de demissões, mas na capacidade da empresa de aumentar produtividade, eficiência operacional e escalabilidade sem comprometer a qualidade da experiência do usuário. No caso do Mercado Livre, a adoção mais profunda de IA reforça uma estratégia de longo prazo voltada à liderança tecnológica — ainda que isso implique ajustes sensíveis no curto prazo.


Fontes:

  • InfoMoney
  • Bloomberg