Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22/10/2025

Introdução
O banco internacional Morgan Stanley reafirma uma visão positiva para a bolsa brasileira, com base na expectativa de cortes da taxa básica de juros (Selic) em 2026. No entanto, o cenário atual de juros elevados ainda atua como barreira para uma migração mais rápida de recursos da renda fixa para ações — já que títulos públicos oferecem retornos atrativos com baixo risco. Para o investidor, isso significa que apesar da oportunidade em ações, o timing de entrada e a seletividade setorial ganham ainda mais importância.
Desenvolvimento
De acordo com o relatório divulgado pelo Morgan Stanley, a Selic deve se manter em torno de 15 % até o final de 2025 e o primeiro corte expressivo de juros está projetado para março de 2026, somando ao todo cerca de 350 pontos-base de redução ao longo de 2026.
Nesse cenário, o banco ressalta que as ações mais sensíveis à variação de juros — ou seja, aquelas cujo valor presente depende significativamente de taxas de desconto — já tiveram desempenho robusto, com alta acumulada de cerca de 35% no ano.
Por outro lado, o Morgan Stanley destaca que o elevado patamar da Selic ainda mantém a renda fixa como alternativa bastante competitiva. Quando os títulos públicos remuneram na faixa de 12% a 15% ao ano, muitos investidores preferem manter parte da carteira em renda fixa, em vez de assumir o risco adicional da renda variável.
No relatório, o banco reforça exposição overweight em ações de serviços financeiros — como XP Inc., B3SA3 (a B3 – Brasil, Bolsa, Balcão) e BPAC11 (BTG Pactual) — por entender que essas empresas têm alavancagem positiva ao ambiente de queda de juros e condições estruturais favoráveis.
O banco ainda alerta que o ambiente de juros altos implica que a bolsa não vá subir de forma irrestrita até que haja avanços mais concretos na redução da taxa básica. Ou seja: a bolsa brasileira está “carregando” a expectativa de ciclo de corte, mas esse ciclo ainda não está em andamento. Isso limita a “migração de recursos” em grande escala da renda fixa para ações, e exige mais seletividade por parte dos investidores.
Análise do Bolso do Investidor
A recomendação do Morgan Stanley sinaliza que o switch (migração de investimentos) entre renda fixa e renda variável está condicionado à queda da Selic — e enquanto essa queda não vier de forma clara, o incentivo para deixar os títulos públicos segue forte. Para investidores, isso gera duas implicações fundamentais. Primeiro, o timing importa: antecipar demais a migração para ações pode significar que se estará investindo antes do “gatilho” da queda de juros — o que implica mais risco de curto prazo. Segundo, a seletividade setorial se torna crítica: setores com forte sensibilidade a juros ou com margens escaláveis em ambiente de menor taxa são os que devem performar melhor quando a virada de ciclo se confirmar.
Além disso, a existência de rentabilidade elevada em renda fixa faz com que alguns investidores vejam a bolsa como “menos atrativa” no momento, o que ajuda a explicar por que o fluxo de capital ainda não se deslocou de forma intensa para ações — apesar do apetite por risco globalmente maior. Em resumo: o cenário favorece quem está posicionado para o próximo ciclo de corte de juros, mas “entradas agressivas” sem critério podem levar a frustrações.
Fechamento
O panorama traçado pelo Morgan Stanley reforça que o mercado brasileiro de ações apresenta oportunidade, especialmente em vista da previsão de queda da Selic em 2026. No entanto, o investidor deve acompanhar de perto os sinais de início de corte, o impacto sobre os múltiplos das empresas e o ritmo de migração entre renda fixa e variável. Na prática, a atração por renda fixa no atual patamar de juros altos ainda freia o movimento para ações — o que pode criar cenários de valorização mais lentos até que o ciclo de afrouxamento monetário se consolide.
Fontes: InfoMoney
