Movida surpreende no 4º trimestre, supera metas e ações disparam na Bolsa

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 15 de janeiro de 2026

As ações da Movida figuraram entre os principais destaques do mercado acionário brasileiro nesta quinta-feira, após a companhia divulgar números preliminares do quarto trimestre de 2025 que superaram as projeções internas e as expectativas do mercado. Por volta do fim da manhã, os papéis avançavam cerca de 10%, refletindo a reação positiva dos investidores aos resultados operacionais e financeiros.

O principal destaque foi o lucro líquido trimestral, que alcançou R$ 102 milhões — desempenho aproximadamente 24% acima do guidance divulgado pela própria empresa para o período. Os dados reforçam a percepção de melhora consistente na rentabilidade e na eficiência operacional da locadora.


Receita e rentabilidade acima do esperado

No quarto trimestre, a Movida registrou receita líquida de R$ 3,66 bilhões. Desse total, R$ 2,10 bilhões vieram do segmento de Aluguel, que apresentou crescimento anual de 17%, enquanto o braço de Seminovos respondeu por R$ 1,56 bilhão.

O Ebitda avançou 20% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo R$ 1,49 bilhão, enquanto o EBIT cresceu 24%, somando R$ 851 milhões. A margem do segmento de Seminovos permaneceu estável em 1,0%, mesmo após mudanças tributárias recentes, sinalizando controle sobre a rentabilidade e disciplina na gestão de ativos.

No consolidado de 2025, a companhia alcançou receita líquida de R$ 14,67 bilhões, alta de 9% na comparação anual. O Ebitda totalizou R$ 5,69 bilhões, com crescimento de 21%, enquanto o lucro líquido anual chegou a R$ 318 milhões, avanço de 38%. A alavancagem encerrou o ano em 2,6 vezes, exatamente no piso do guidance estipulado pela administração.


Avaliação dos analistas

A XP Investimentos destacou a força da dinâmica de receita nos dois principais segmentos da companhia. Segundo a casa, houve surpresa positiva tanto em Aluguel quanto em Seminovos, impulsionada principalmente por estratégias de reprecificação e manutenção de margens.

A análise também ressalta a estabilidade das margens no segmento de venda de veículos, sugerindo assertividade nas premissas de depreciação adotadas pela administração, além da continuidade do processo de desalavancagem financeira.

O Bradesco BBI avaliou que os números preliminares reforçam a tese de execução consistente da Movida, mesmo em um ambiente desafiador para o setor de locação. O banco destaca a expansão das margens no aluguel, ganhos de eficiência operacional e crescimento da base de clientes, além da preservação de valor dos ativos de Seminovos.

Já o Itaú BBA considerou os dados do trimestre positivos, apontando que a empresa superou as expectativas tanto do lado comprador quanto vendedor do mercado. A manutenção da margem de Seminovos em 1% foi vista como fator relevante para reduzir preocupações no curto prazo.

O BBA segue com recomendação de desempenho acima da média para as ações, enquanto XP e BBI reiteram recomendação de compra, citando múltiplos atrativos e fundamentos operacionais sólidos para 2026.


Visão Bolso do Investidor

Os números preliminares da Movida reforçam um ponto importante para o investidor: a execução consistente, controle de custos e desalavancagem seguem sendo diferenciais relevantes em setores intensivos em capital. A superação do guidance em lucro e a manutenção das margens, mesmo em um ambiente ainda desafiador, indicam que a empresa entra em 2026 em posição mais sólida para capturar valor caso o cenário de juros se torne mais favorável. Ainda assim, como em todo papel cíclico, o acompanhamento da alavancagem, do custo de capital e da dinâmica macroeconômica permanece essencial para decisões de longo prazo.


Fontes:

  • InfoMoney