Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 12 de novembro de 2025

A Natura (NATU3) enfrentou um trimestre difícil e frustrou até as expectativas mais modestas dos analistas. Após a divulgação dos resultados do 3º trimestre de 2025 (3T25), as ações da varejista despencaram 15,65%, encerrando o pregão desta terça-feira (11) cotadas a R$ 7,76.
Segundo o Itaú BBA e a XP Investimentos, o desempenho da companhia foi marcado por queda de margens, desaceleração do consumo e desafios operacionais, refletindo o cenário econômico desafiador na América Latina e as dificuldades na implementação da chamada Onda 2, que envolve a integração das operações internacionais.
Resultados e desafios operacionais
O Ebitda ajustado da Natura foi de R$ 577 milhões, representando queda de 34% em relação ao ano anterior e 10% abaixo das projeções do Itaú BBA, com margem reduzida em 3,5 pontos percentuais.
O prejuízo líquido atingiu R$ 119 milhões, revertendo a expectativa de lucro de R$ 168 milhões, e a geração de caixa livre permaneceu negativa, com consumo de R$ 47 milhões no período.
De acordo com a XP, a empresa viveu um trimestre de pressões simultâneas em suas principais marcas e geografias: o cenário macroeconômico pesou sobre as operações no Brasil e na Argentina, enquanto a Onda 2 e o câmbio afetaram o desempenho no México e no restante da América Hispânica.
O Itaú BBA destacou que a deterioração de receitas e margens foi mais acentuada que o esperado, o que deve levar a revisões negativas nas estimativas de lucro do consenso, hoje em torno de R$ 1,4 bilhão.
Análises de bancos e casas de investimento
O JPMorgan apontou que a Natura voltou a apresentar tendências operacionais fracas, prejudicadas por fatores como o ambiente macro desfavorável, condições de crédito restritivas e interrupções operacionais.
Segundo o banco, a alavancagem subiu para acima de 3 vezes a relação dívida líquida/Ebitda, o que limita a capacidade da companhia de realizar distribuições de caixa adicionais.
Já o Goldman Sachs destacou o impacto das vendas estagnadas da marca Natura no Brasil, a queda nas vendas da Avon na América Latina e os efeitos negativos da consolidação de plantas industriais.
Apesar do cenário desafiador, a venda da Avon International para o fundo Regent, prevista para o 1º trimestre de 2026, foi vista como um movimento positivo no longo prazo, por reduzir riscos e eliminar uma operação deficitária — embora gere incerteza no curto prazo.
Perspectivas e recomendações
Para os próximos trimestres, analistas esperam que a dinâmica desafiadora persista, ainda que com melhora gradual à medida que a Onda 2 avance e medidas de eficiência operacional tragam resultados.
O Itaú BBA prevê que a alavancagem da empresa caia de 2,9 vezes para cerca de 1,2 vez até o fim de 2025, mas ressalta que o potencial de valorização das ações segue limitado até que haja recuperação consistente na geração de caixa.
- Itaú BBA: recomendação de compra, preço-alvo de R$ 13
- XP Investimentos: mantém postura cautelosa, monitorando melhora operacional
- Goldman Sachs: recomendação neutra, preço-alvo de R$ 13
- JPMorgan: recomendação neutra, preço-alvo de R$ 10,50
- Bradesco BBI: recomendação de compra, preço-alvo de R$ 17
Visão Bolso do Investidor
Os resultados da Natura reforçam o momento delicado do setor de varejo e o desafio das empresas de capital intensivo em equilibrar crescimento e eficiência operacional.
A companhia segue pressionada por fatores macroeconômicos e internos, com margens comprimidas e caixa fraco, o que limita a atratividade das ações no curto prazo.
Por outro lado, a reestruturação global e a venda da Avon International podem destravar valor no médio prazo, desde que a gestão consiga entregar melhoria sustentável na rentabilidade e no controle da dívida.
Fontes:
- InfoMoney
