Netflix avança sobre a Warner após estratégia agressiva de Ellison fracassar

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 22 de dezembro de 2025

A tentativa da Paramount Skydance, comandada por David Ellison, de adquirir a Warner Bros. Discovery acabou abrindo espaço para que a Netflix fechasse um dos negócios mais emblemáticos da história recente da indústria do entretenimento. A condução considerada excessivamente agressiva da oferta, somada a ruídos jurídicos e falhas estratégicas, minou a confiança do conselho da Warner e alterou o rumo da negociação.

Na noite de 3 de dezembro, advogados do escritório Quinn Emanuel Urquhart & Sullivan enviaram uma carta à Warner Bros. Discovery questionando a justiça e a adequação do processo de venda da companhia. O documento representava os interesses de Ellison, presidente e CEO da Paramount Skydance, que vinha negociando a aquisição havia meses. O movimento pegou de surpresa a administração da Warner, que acreditava estar conduzindo um processo transparente e equilibrado.

David Zaslav, CEO da Warner Bros., havia mantido contato frequente com Ellison nas semanas anteriores. No próprio dia do envio da carta, a equipe da Paramount havia sinalizado que apresentaria uma nova proposta. Em vez disso, a ameaça jurídica foi vista internamente como um gesto hostil, capaz de comprometer a relação entre as partes.

Poucas horas depois, pessoas próximas a Ellison reconheceram que o envio da carta havia sido um erro estratégico. Alguns assessores sequer tinham conhecimento prévio da iniciativa. Na tentativa de conter os danos, a Paramount apresentou sua sexta proposta revisada e Ellison enviou mensagens diretas a Zaslav, buscando restabelecer o diálogo. Não houve resposta.

Naquela mesma noite, o conselho da Warner Bros. decidiu avançar com a venda do estúdio e do negócio de streaming HBO Max para a Netflix, encerrando de forma abrupta meses de negociações que pareciam caminhar para um desfecho favorável à Paramount.

A entrada definitiva da Netflix no jogo

Durante meses, a percepção do mercado era de que a aquisição da Warner pela Paramount seria inevitável. No entanto, a sucessão de erros na reta final enfraqueceu a posição de Ellison e abriu espaço para a Netflix, que até então observava o processo à distância.

A plataforma de streaming concordou em pagar US$ 27,75 por ação pelos principais ativos da Warner Bros. Discovery, em um acordo focado nos estúdios e no HBO Max, deixando de fora os canais de televisão linear. A proposta superou financeiramente todas as ofertas apresentadas pela Paramount, além de reduzir riscos regulatórios e operacionais para os acionistas.

Mesmo após a decisão do conselho, Ellison não abandonou a disputa. Ele passou a apelar diretamente aos acionistas com uma oferta de US$ 30 por ação, além de sinalizar que poderia elevar o valor e buscar apoio político para tentar barrar o acordo com a Netflix. Ainda assim, a recomendação do conselho foi clara no sentido de rejeitar a proposta rival.

Um caminho cada vez mais estreito para Ellison

A Paramount Skydance havia acabado de concluir, em agosto, a aquisição da própria Paramount por cerca de US$ 8 bilhões, assumindo um grupo fragilizado financeiramente e pressionado pela transição do modelo de TV a cabo para o streaming. Ellison via na Warner Bros. a escala necessária para competir de igual para igual com os gigantes do setor.

No entanto, o conselho da Warner demonstrava crescente desconforto com as exigências da Paramount, incluindo pedidos extensivos de acesso a dados, tentativas de contato direto com conselheiros e restrições severas à governança pós-fusão. Além disso, o nível de endividamento envolvido nas propostas e o risco regulatório associado pesaram contra Ellison.

Com a entrada oficial da Netflix e a abertura do processo a outros interessados, como a Comcast, o cenário mudou rapidamente. A Warner optou por uma solução considerada mais simples, financeiramente robusta e estratégica para o futuro da companhia.

A disputa ainda não terminou

Apesar da decisão do conselho, Ellison segue tentando reverter o desfecho, apostando que os acionistas possam rejeitar a recomendação e forçar uma reavaliação do negócio. Analistas, no entanto, avaliam que o tempo e o momentum agora favorecem claramente a Netflix.

Enquanto isso, o mercado acompanha atentamente os próximos capítulos de uma disputa que pode redefinir o equilíbrio de forças em Hollywood e consolidar de vez a Netflix como dona de um dos estúdios mais tradicionais e premiados da história do cinema.


Visão Bolso do Investidor

O caso Warner–Netflix expõe uma lição clássica de mercado: em processos de fusão e aquisição, estratégia, timing e relacionamento pesam tanto quanto preço. A postura agressiva adotada pela Paramount Skydance, ainda que financeiramente ambiciosa, acabou elevando o risco percebido e afastando o conselho da Warner.

Para investidores, o episódio reforça a importância de avaliar não apenas números, mas também governança, execução e capacidade de integração em grandes transações. A entrada da Netflix sinaliza uma nova fase de consolidação no entretenimento global, com implicações diretas sobre concorrência, modelos de distribuição e geração de caixa no longo prazo.


Fontes:

  • Infomoney
  • Bloomberg