NFL estreia na Espanha, movimenta mais de R$ 1 bi e inaugura nova era do Bernabéu

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 19 de novembro de 2025

A estreia da NFL em território espanhol, neste domingo (16), marcou mais do que um jogo oficial da liga americana: representou o início de uma nova fase para o agora renomeado Bernabéu, estádio do Real Madrid. A partida entre Miami Dolphins e Washington Commanders lotou as arquibancadas e movimentou a economia de Madri em níveis superiores ao previsto.

Segundo veículos espanhóis como o Diario Marca, o evento injetou 170 milhões de euros na capital — mais de R$ 1 bilhão na conversão atual — superando com folga a projeção inicial da Prefeitura, que estimava cerca de 100 milhões de euros de impacto. Só em bares e restaurantes, foram 21 milhões de euros.

O jogo recebeu 83 mil torcedores, sendo que aproximadamente 42 mil eram turistas internacionais vindos dos Estados Unidos e países europeus próximos. A estadia média desses visitantes deve chegar a quatro dias, o que levou a rede hoteleira local a registrar 90% de ocupação no período.

Os ingressos custaram entre 80 e 5.000 euros, e o desempenho financeiro ficou alinhado ao de outras partidas internacionais da NFL, como os duelos já realizados em Munique e Londres, que também registraram impacto econômico próximo de 200 milhões de euros.

A expansão global da liga segue intensa. A Espanha se tornou o quarto país europeu a sediar um jogo oficial, impulsionada por seu peso crescente no turismo esportivo — já são cerca de 11 milhões de consumidores diretos e indiretos da NFL no país. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), em 2023 a Espanha recebeu 2,9 milhões de turistas motivados por eventos esportivos, com gasto médio superior ao do turista tradicional.

O Brasil foi a última parada internacional antes da Espanha e também teve grande repercussão: os 47 mil ingressos se esgotaram em minutos e a movimentação financeira ficou atrás apenas da Fórmula 1, superando até Carnaval e Réveillon em volume econômico. Hoje, o país é o segundo maior mercado internacional da NFL, atrás apenas do México.

O novo Bernabéu entra em campo

O evento também marcou o lançamento oficial do novo branding do estádio do Real Madrid. O tradicional nome “Santiago Bernabéu”, adotado desde 1947, foi encurtado para Bernabéu como parte da estratégia de reposicionamento global do clube.

A mudança acompanha a remodelação completa do estádio, que agora busca se consolidar como um hub internacional de entretenimento — preparado para receber jogos, shows, eventos corporativos e festivais.

Para Ivan Martinho, professor de marketing esportivo da ESPM, a decisão reforça uma tendência mundial:

“É um movimento clássico de reposicionamento: nome mais curto, visual alinhado ao novo design e uma marca pronta para competir com os maiores centros de entretenimento do mundo.”

Anderson Nunes, especialista em marketing esportivo e executivo da Casa de Apostas, destaca que grandes arenas da Europa têm expandido seus usos para além do futebol:

Esse tipo de transformação abre novas fontes de receita e explica por que clubes como o Real Madrid seguem se reinventando.”

A força financeira da NFL

Com valuation de aproximadamente R$ 803 bilhões, a NFL segue como a maior liga esportiva do mundo. Em 2023, suas receitas atingiram US$ 18,7 bilhões, segundo a Deloitte — muito acima das outras ligas americanas, como MLB e NBA.

As quatro maiores ligas europeias de futebol (Premier League, Bundesliga, La Liga e Série A) somadas não superam a receita anual da NFL.

A liga também registrou US$ 2,35 bilhões em patrocínios na temporada, aumento de 15% em relação ao ano anterior.

Para Thiago Freitas, COO da Roc Nation Sports no Brasil, o fenômeno vai além do esporte:

A NFL virou um símbolo cultural nos Estados Unidos. Cada jogo é um evento de entretenimento completo — não apenas uma partida.”


Visão Bolso do Investidor

A expansão internacional da NFL reforça como o mercado esportivo se tornou um grande gerador de valor, combinando entretenimento, turismo e construção de marca. Para investidores, o movimento indica duas tendências claras:

1. Arenas multifuncionais como novos centros de receita
Clubes e gestoras que transformam estádios em plataformas de eventos diversificados ampliam receitas, reduzem sazonalidade e se tornam ativos premium no mercado global.

2. Esportes como ativos estratégicos de impacto econômico
Eventos esportivos de grande escala impulsionam turismo, consumo e investimentos em infraestrutura. Esse modelo tende a atrair mais capital privado e público nos próximos anos.

Em um mundo onde o entretenimento move bilhões, a NFL mostra como a combinação de marca, experiência e expansão internacional pode criar valor muito além do campo — uma lição importante para investidores e gestores de qualquer setor.


Fontes:

  • Harvard Business Review (via InfoMoney)