Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11 de janeiro de 2026

O governo da Nicarágua informou neste sábado (10) que iniciou a libertação de dezenas de prisioneiros, em meio ao aumento da pressão diplomática exercida pelos Estados Unidos sobre o regime do presidente Daniel Ortega. O anúncio ocorre poucos dias após a prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, fato que intensificou o foco internacional sobre regimes autoritários na América Latina.
Em comunicado oficial, o Ministério do Interior da Nicarágua afirmou que “dezenas de pessoas que estavam no Sistema Penitenciário Nacional estão retornando para suas casas e famílias”. O governo, no entanto, não detalhou o número exato de libertados nem informou se todos os casos envolvem presos políticos.
Na véspera, a embaixada dos Estados Unidos no país divulgou nota reconhecendo a libertação de presos políticos na Venezuela como um passo relevante, mas criticou duramente a situação nicaraguense. Segundo a representação diplomática, mais de 60 pessoas continuam “injustamente detidas ou desaparecidas” na Nicarágua, incluindo pastores, trabalhadores religiosos, idosos e pessoas com problemas de saúde.
Ainda na sexta-feira (9), uma organização não governamental que monitora violações de direitos humanos no país relatou que ao menos 61 pessoas foram presas após manifestações de apoio ou comemorações, nas redes sociais, relacionadas à captura de Maduro. As detenções teriam ocorrido em nove regiões distintas do território nicaraguense.
A Nicarágua vive um ambiente de repressão contínua desde os protestos em massa de 2018, que foram violentamente reprimidos pelas forças de segurança. Desde então, o governo de Ortega tem promovido prisões de opositores políticos, líderes religiosos, jornalistas e ativistas, além de restringir liberdades civis.
De acordo com organizações internacionais, nos últimos oito anos mais de 5.000 entidades foram fechadas no país, a maioria delas de caráter religioso ou social. O endurecimento do regime também levou milhares de nicaraguenses ao exílio, diante do risco de perseguição política.
Visão Bolso do Investidor
A decisão de libertar prisioneiros sinaliza uma tentativa do governo nicaraguense de aliviar a pressão internacional, especialmente dos Estados Unidos, mas não altera o quadro estrutural de autoritarismo e instabilidade institucional do país. Para analistas políticos e investidores atentos ao cenário regional, o episódio reforça que movimentos pontuais não significam, necessariamente, mudanças duradouras de regime, mantendo elevados os riscos políticos e institucionais na Nicarágua.
Fontes:
- InfoMoney
- Estadão Conteúdo
