Nike enfrenta desafios, mas primeiros sinais indicam avanço no plano de recuperação

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 30 de dezembro de 2025

A Nike segue enfrentando dificuldades operacionais e de rentabilidade, mas os esforços recentes para reverter a queda nos negócios começam a apresentar resultados iniciais. No trimestre encerrado em 30 de novembro, a empresa registrou crescimento de 1% nas vendas, impulsionado principalmente pelo desempenho na América do Norte.

Apesar do avanço na receita, o lucro da companhia caiu 32% no período. O resultado foi pressionado, sobretudo, pelo fraco desempenho na China continental, em Hong Kong e em Taiwan, regiões onde a receita recuou 17%. A marca Converse também continua apresentando resultados negativos.

Mudança de estratégia e perda de espaço em performance

A Nike tenta se recuperar após uma série de decisões estratégicas que resultaram em queda prolongada das vendas e perda de participação de mercado. Nos últimos anos, a empresa priorizou produtos voltados ao estilo de vida, o que acabou reduzindo sua presença em segmentos de desempenho, como o de corrida, tradicionalmente fortes para a marca.

A China segue sendo um dos principais pontos de atenção. Executivos da companhia já haviam indicado que uma recuperação mais consistente no país exigiria tempo e investimentos relevantes. A expectativa da empresa é de que a fraqueza no mercado chinês persista no curto prazo, continuando a pesar sobre as vendas globais. Para o trimestre atual, a Nike projeta leve queda na receita global, mesmo com crescimento esperado na América do Norte.

Gestão e ajustes operacionais

Desde que assumiu o comando da empresa, o CEO Elliott Hill, que retornou da aposentadoria, vem implementando mudanças estruturais. Entre as medidas adotadas estão a redução de estoques antigos, a aceleração do desenvolvimento de novos produtos especialmente tênis de performance, além da reorganização da estrutura corporativa e substituição de executivos do alto escalão.

Hill afirmou que a Nike precisa redefinir sua estratégia na China, com foco inicial em cidades como Pequim e Xangai, além de ajustes no mix de produtos oferecidos ao consumidor local. Segundo o executivo, as mudanças iniciadas ainda não ocorrem na velocidade necessária para promover uma transformação mais ampla.

Analistas veem sinais positivos na América do Norte. Para Guggenheim Securities, o desempenho recente sugere que a Nike começa a acelerar sua recuperação, com aumento no volume de vendas e maior engajamento dos consumidores.

Pressão de custos e tarifas

Outro fator que afeta os resultados da companhia são as tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. A Nike estima que essas tarifas devem adicionar cerca de US$ 1,5 bilhão em custos ao longo do atual ano fiscal, reduzindo sua margem bruta. Para mitigar o impacto, a empresa já promoveu reajustes de preços em parte de seus tênis, roupas e equipamentos.

A marca Converse segue como um desafio adicional. As vendas recuaram 30%, com queda em todas as regiões. A administração trabalha na reformulação da linha Chuck Taylor, principal produto da marca, na tentativa de recuperar relevância e desempenho comercial.

Visão Bolso do Investidor

Os resultados recentes indicam que a Nike começa a mostrar sinais iniciais de recuperação, especialmente na América do Norte, mas o processo ainda enfrenta obstáculos relevantes. Desafios na China, pressão de custos e ajustes estratégicos em marcas do portfólio seguem no radar. Para investidores, o caso reforça a importância de acompanhar a execução do plano de recuperação, a evolução das margens e a capacidade da empresa de retomar protagonismo em segmentos de alto desempenho no médio e longo prazo.

Fontes: The New York Times