Nova tarifa de 15% dos EUA atinge importações e muda cenário para o Brasil

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 23 de fevereiro de 2026

A política comercial dos Estados Unidos voltou ao centro das atenções após a Suprema Corte americana anular as chamadas tarifas “recíprocas” implementadas pelo presidente Donald Trump no ano passado. Apesar da decisão judicial, as cobranças sobre importações não foram encerradas.

No sábado (21), o governo americano anunciou uma nova tarifa global de 15% sobre produtos importados. A medida passa a valer à 00h01 (horário de Washington) de terça-feira (24) e poderá permanecer em vigor por até 150 dias, salvo prorrogação pelo Congresso.

O que levou à nova cobrança

Na sexta-feira (20), a Suprema Corte decidiu que o presidente não poderia utilizar uma lei de emergência econômica para impor tarifas amplas sobre praticamente todos os países. Com isso, foram derrubadas as tarifas “recíprocas”, que haviam começado em 10% em abril de 2025 e, em alguns casos, chegaram a sobretaxas muito maiores, incluindo cobranças adicionais de até 40% sobre produtos brasileiros.

No mesmo dia, a Casa Branca anunciou uma nova tarifa global de 10%, posteriormente elevada para 15% no sábado, dentro dos limites previstos pela legislação comercial americana de 1974.

Como o Brasil passa a ser afetado

O Brasil está entre os países atingidos pela nova tarifa. Na prática, a cobrança funciona como um adicional sobre a tarifa normal de cada produto exportado para os Estados Unidos. Ou seja, mantém-se a alíquota tradicional e soma-se a sobretaxa temporária de 15%, com exceções pontuais.

Alguns produtos estratégicos e itens classificados por motivos de segurança nacional seguem regras próprias e não foram impactados pela decisão da Corte.

O que continua valendo

Mesmo após a decisão judicial, determinadas tarifas permanecem ativas, especialmente aquelas justificadas por razões de segurança nacional. Entre elas estão cobranças elevadas sobre produtos industriais relevantes para o Brasil, como aço, alumínio e componentes metálicos, além de tarifas menores aplicadas à madeira.

Para os demais produtos, passa a vigorar a tarifa adicional de 15%. Ainda não está totalmente definido se essa taxa será cumulativa com algumas tarifas específicas, como ocorreu em certos casos ao longo de 2025.

O que mudou em relação ao ano passado

Em 2025, o Brasil passou por várias alterações tarifárias. Inicialmente, foi aplicada uma tarifa geral de 10%. Posteriormente, produtos como aço e alumínio tiveram a alíquota elevada para níveis próximos de 50%. Em alguns casos, houve ainda sobretaxas adicionais que ampliaram a carga total sobre exportações brasileiras.

A decisão recente da Suprema Corte derrubou parte dessas medidas, incluindo a sobretaxa de 40%, mas a nova tarifa global de 15% substitui a antiga cobrança geral.

O cenário ficou melhor ou pior?

Para alguns setores, o cenário ficou menos pesado do que no período em que determinadas exportações enfrentavam tarifas muito elevadas. No entanto, para produtos que pagavam apenas a taxa básica de 10%, houve aumento da carga tributária.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a decisão judicial trouxe redução de incertezas imediatas, mas o quadro ainda permanece indefinido. O governo americano pode adotar novos instrumentos legais para manter ou alterar as tarifas.

Visão Bolso do Investidor

Mudanças tarifárias nos Estados Unidos têm impacto direto sobre exportações brasileiras, principalmente em setores ligados a commodities e à indústria pesada. Tarifas mais altas reduzem a competitividade, pressionam as margens das empresas exportadoras e podem afetar câmbio, inflação e atividade econômica doméstica.

Para o investidor, o tema deve ser acompanhado porque influencia resultados de empresas exportadoras, expectativa de crescimento econômico e até decisões de política monetária no Brasil, especialmente se houver impacto relevante sobre o dólar e a balança comercial.


Fontes:

  • Infomoney