Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 25 de fevereiro de 2026

O resultado trimestral da Nvidia, previsto para ser divulgado nesta quarta-feira após o fechamento dos mercados nos Estados Unidos, chega em um momento particularmente sensível para o mercado acionário global. A companhia se tornou o principal termômetro do entusiasmo, e também das dúvidas, dos investidores em relação à inteligência artificial.
Analistas de Wall Street esperam números fortes da fabricante de chips, sustentados pelo aumento expressivo dos investimentos em infraestrutura de computação por grandes empresas de tecnologia. Ainda assim, existe incerteza não sobre o desempenho operacional da companhia, mas sobre a reação do mercado.
Segundo Ken Mahoney, presidente da Mahoney Asset Management, mesmo resultados excepcionais podem não impedir forte volatilidade. Isso porque o mercado começa a questionar se os bilhões investidos em inteligência artificial pelas gigantes de tecnologia são sustentáveis no longo prazo.
A empresa que move o S&P 500
Nos últimos anos, a Nvidia foi uma das principais responsáveis pela valorização das bolsas americanas. Porém, recentemente, o ritmo perdeu força. Desde o início do quarto trimestre, as ações subiram apenas cerca de 3,4%, refletindo maior cautela dos investidores.
O impacto vai além da própria empresa. Com valor de mercado estimado em aproximadamente US$ 4,7 trilhões, a companhia possui peso relevante no S&P 500, índice ponderado por capitalização. Qualquer movimento expressivo em suas ações tende a influenciar diretamente o desempenho do mercado americano.
Ao mesmo tempo, outros setores vêm sofrendo. Empresas consideradas vulneráveis à disrupção tecnológica, como Intuit, Gartner e Workday, acumulam quedas superiores a 39% no ano. Um índice que acompanha as principais gigantes de tecnologia — incluindo Apple, Amazon, Meta e Tesla — também projeta recuo em 2026.
Expectativas para os números
As projeções indicam um trimestre robusto. A receita da Nvidia deve crescer cerca de 68%, alcançando US$ 65,9 bilhões, enquanto o lucro ajustado pode subir aproximadamente 72%, para US$ 1,53 por ação.
Uma das métricas mais acompanhadas será a margem bruta da empresa. No ano passado, ela sofreu pressão por causa dos custos elevados de produção dos chips Blackwell. Agora, a expectativa é de recuperação para cerca de 75%, o maior nível em mais de um ano.
Investidores também observarão se essa rentabilidade pode ser mantida, principalmente diante da alta nos preços de componentes e memória.
Chips, China e o futuro da IA
Outro ponto central será a atualização sobre os novos chips Blackwell e Rubin. O CEO Jensen Huang já afirmou que essas linhas podem gerar centenas de bilhões de dólares em receita nos próximos ciclos.
Além disso, o mercado acompanha com atenção a exposição internacional da companhia, especialmente em relação à China. Embora a empresa tenha indicado ausência de receitas de data centers chineses no último trimestre, qualquer sinal sobre exportações ou restrições comerciais pode alterar as perspectivas.
O mercado de opções já precifica oscilação de cerca de 5% para cima ou para baixo nas ações logo após o balanço — um sinal do grau de incerteza atual.
O impacto vai além da Nvidia
O que realmente importa para os investidores não são apenas os números divulgados, mas o tom das projeções da empresa. Comentários da diretoria sobre demanda por inteligência artificial, expansão global e ritmo de investimentos podem definir o humor do mercado.
Uma sinalização positiva tende a fortalecer novamente o entusiasmo pelo setor de tecnologia. Por outro lado, qualquer indicação de desaceleração pode afetar diversas empresas, especialmente aquelas ligadas a software e serviços digitais.
Visão Bolso do Investidor
A Nvidia virou algo raro na história dos mercados: uma empresa cuja divulgação de resultados pode mexer com praticamente todos os ativos globais ao mesmo tempo.
Isso acontece porque ela está no centro do maior ciclo tecnológico desde a internet — a inteligência artificial. Hoje, os investidores não estão apenas avaliando uma companhia de semicondutores; estão tentando precificar o futuro da economia digital.
O risco é clássico de ciclos tecnológicos: primeiro vem a euforia, depois a cobrança por resultados reais. Mesmo que a tecnologia seja transformadora, o mercado sempre passa por fases de exagero.
Por isso, mais importante do que o lucro do trimestre será a resposta para uma pergunta simples: a demanda por IA está acelerando de forma sustentável ou apenas antecipando crescimento futuro?
A resposta pode definir não apenas o destino da Nvidia, mas o rumo das bolsas globais nos próximos meses.
Fontes:
- InfoMoney
- Bloomberg
