O que esperar da economia em 2026? Queda de juros e eleições no radar

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 7 de janeiro de 2026

Mesmo em um ambiente político conturbado, marcado pelas eleições no Brasil e por tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela, a XP Investimentos avalia que o cenário econômico brasileiro em 2026 tende a ser relativamente previsível. Segundo a casa, a desaceleração da atividade, combinada à queda gradual da inflação, cria espaço para uma política monetária menos restritiva ao longo do ano.

A XP projeta que o Banco Central do Brasil inicie um ciclo de cortes na Selic a partir de março, com reduções graduais de 0,50 ponto percentual. A taxa básica de juros deve encerrar 2026 em torno de 12,50%, refletindo um ambiente de inflação mais controlada, ajudado pela valorização do real, queda dos preços dos alimentos e menor pressão de bens importados. Para o PIB, a estimativa é de crescimento de 1,7% em 2026, abaixo de 2025, mas com riscos inclinados para cima devido a estímulos fiscais e creditícios.

No campo fiscal, a avaliação é mais cautelosa. A XP estima um déficit total de R$ 45,8 bilhões em 2026 (0,3% do PIB), ainda que, excluídas despesas fora da meta, o resultado primário fique próximo do equilíbrio. Apesar da expectativa de arrecadação robusta, os analistas alertam que o avanço das despesas discricionárias e a ausência de uma reforma estrutural dos gastos mantêm o risco fiscal elevado. Sem ajustes, o banco vê a possibilidade de deterioração fiscal e inflação mais alta a partir de 2027.

O relatório destaca que programas de estímulo, como mudanças no Imposto de Renda, expansão do crédito imobiliário e maior oferta de crédito para empresas, devem sustentar a demanda doméstica no curto prazo. No entanto, a XP projeta desaceleração adicional em 2027, com crescimento estimado de apenas 1,2%, reforçando a necessidade de reformas para elevar o potencial de crescimento do país.

No cenário político, a incerteza segue elevada. A XP avalia que a eleição presidencial de 2026 permanecerá aberta até os momentos finais. De um lado, Luiz Inácio Lula da Silva busca consolidar a recuperação de sua popularidade por meio de políticas públicas e estímulos econômicos. De outro, a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro tenta herdar o capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro, movimento que deve influenciar a reorganização da direita ao longo do ano.

Visão Bolso do Investidor

O diagnóstico da XP reforça um ponto-chave para investidores: 2026 pode ser um ano de maior previsibilidade econômica no curto prazo, mas com riscos relevantes no horizonte. A trajetória dos juros tende a ser favorável aos ativos domésticos, desde que a disciplina fiscal avance. Já o ambiente político, especialmente o desenrolar das eleições, seguirá como principal fonte de volatilidade para mercados, câmbio e juros.

Fontes: InfoMoney