O que esperar do Banco do Brasil (BBAS3) em 2026? Recuperação gradual ainda deve exigir paciência

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 8 de janeiro de 2026

Após um ciclo de resultados excepcional entre 2021 e meados de 2024, o Banco do Brasil atravessou 2025 em um cenário bem mais desafiador. A deterioração do crédito rural, a alta da inadimplência no agronegócio e a queda acentuada da rentabilidade provocaram forte correção das ações e colocaram o banco em um novo estágio do ciclo.

Segundo Daniel Utsch, gestor de renda variável da Nero Capital, o momento atual reflete o fim de uma fase extremamente favorável. O banco se beneficiou, nos últimos anos, de um agronegócio aquecido, de uma carteira sólida de servidores públicos e de um retorno sobre patrimônio (ROE) acima de 20%, patamar historicamente elevado para a instituição.

Crédito rural pressiona resultados

A virada do cenário começou há cerca de um ano e meio, com a piora relevante do agronegócio. O aumento dos custos de produção, a alavancagem excessiva de parte dos produtores e eventos climáticos adversos levaram a inadimplência do setor a níveis recordes, pressionando diretamente a rentabilidade do banco. O ROE recuou para cerca de 8,5%, bem abaixo do observado no auge do ciclo.

Esse movimento foi mais intenso entre pequenos e médios produtores, especialmente na região Sul do país. Como o Banco do Brasil possui elevada exposição justamente nesse segmento, em linha com seu papel histórico de fomento ao crédito rural, o impacto foi mais significativo do que em concorrentes privados.

Medidas em andamento e expectativa de melhora lenta

Para enfrentar o cenário, o banco vem adotando medidas como renegociação de dívidas, extensão de prazos e rolagem de operações. A estratégia busca reduzir a inadimplência de forma estrutural, permitindo que os produtores se reorganizem financeiramente, e não apenas postergar o problema.

A expectativa dos analistas é de alguma melhora ao longo de 2026, à medida que o ciclo do agronegócio se acomoda. No entanto, a recuperação plena não deve ocorrer no curto prazo. Um retorno consistente acima do custo de capital é visto mais como um cenário para 2027 ou 2028.

Valuation atrativo, mas com riscos

As ações do Banco do Brasil acumulam queda de cerca de 35% a 40% em relação às máximas e hoje negociam próximas de 0,7 vez o valor patrimonial, com múltiplos entre 4,5 e 5 vezes o lucro. Para gestores e analistas, trata-se de um valuation deprimido, que pode oferecer oportunidade para investidores de longo prazo, ainda que o caminho até a normalização seja lento e volátil.

Além dos desafios operacionais, o fator político ganha relevância em 2026. Por se tratar de uma estatal, o banco tende a sofrer maior sensibilidade ao avanço do calendário eleitoral, mesmo não sendo visto atualmente como um ativo político extremo.

Visão Bolso do Investidor

O Banco do Brasil entra em 2026 em um processo de ajuste, após anos de resultados extraordinários. A recuperação deve ser gradual, sustentada pela normalização do crédito rural e por maior disciplina na concessão de financiamentos. Para o investidor, BBAS3 segue como um ativo de longo prazo, com valuation atrativo, mas que exige paciência e tolerância à volatilidade, especialmente em um ano marcado por eleições e incertezas macroeconômicas.

Fontes: InfoMoney