“Onças Brasileiras”: estados podem liderar exportações do país com acordo Mercosul–União Europeia

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 11 de fevereiro de 2026

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia ainda enfrenta etapas políticas e regulatórias para sua consolidação, mas já desperta expectativas sobre quais regiões do Brasil podem sair na frente quando a abertura de mercados se tornar realidade. Para a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), um grupo específico de estados reúne características que os colocam como principais beneficiários do tratado. Eles foram apelidados de “Onças Brasileiras”.

O conceito faz referência aos Tigres Asiáticos, economias que aceleraram o crescimento industrial e exportador no século passado, e engloba Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Segundo a agência, essas unidades da federação apresentam desempenho econômico consistente acima da média nacional, bons indicadores sociais, maior eficiência administrativa e estrutura institucional mais estável.

Mesmo sem projeções detalhadas por produto ou setor, a ApexBrasil estima que o acordo possa gerar aumento de aproximadamente 49 bilhões de euros nas exportações europeias ao Mercosul até 2040. Para o bloco sul-americano, o crescimento projetado é mais modesto, em torno de 9 bilhões de euros adicionais no mesmo período, mas ainda assim relevante do ponto de vista estratégico.

A avaliação é que a indústria europeia, especialmente nos segmentos automotivo, químico e de máquinas, tende a ganhar competitividade na América do Sul. Já do lado do Mercosul, o agronegócio desponta como principal beneficiado, dada a elevada competitividade internacional do setor.

A liberalização tarifária para produtos agrícolas, no entanto, foi um dos pontos mais sensíveis nas negociações. Produtores europeus pressionaram por limites de volume, mecanismos de proteção de preços e exigências ambientais e sanitárias mais rígidas, o que resultou em salvaguardas específicas no texto do acordo.

Dentro desse contexto, os estados classificados como “onças” se destacam por concentrarem grande parte das exportações brasileiras de commodities agrícolas, proteínas, celulose, mineração e agroindústria. Essa composição de pauta exportadora tende a se encaixar diretamente nas oportunidades criadas pelo tratado.

Estados como Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná mantêm forte dependência da agroindústria nas vendas externas para a Europa. Espírito Santo e Mato Grosso do Sul combinam melhor essa pauta com mineração e produtos manufaturados, enquanto Santa Catarina apresenta maior presença da indústria de transformação.

A expectativa da ApexBrasil é que essas regiões possam ampliar participação no mercado europeu, reposicionando o comércio exterior e agregando maior valor às exportações. Ao mesmo tempo, o acordo também exigirá adaptação das empresas locais, que precisarão atender a padrões técnicos, sanitários e ambientais mais rigorosos.

Além disso, setores domésticos deverão enfrentar concorrência mais intensa de produtos europeus potencialmente mais baratos, o que pode pressionar cadeias menos competitivas.

Outro fator considerado estratégico é a infraestrutura logística. Estados com portos e corredores de exportação mais eficientes, como Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina, tendem a facilitar o escoamento da produção e sustentar volumes maiores de comércio com a Europa.

Para a agência, os ganhos do acordo não se limitam ao fluxo direto de exportações. A abertura também pode facilitar acesso a tecnologias, máquinas e insumos industriais europeus, elevando a produtividade das empresas brasileiras e aumentando a complexidade econômica do país no longo prazo.


Visão Bolso do Investidor

Acordos comerciais amplos costumam beneficiar regiões com maior vocação exportadora e cadeias produtivas já estruturadas. No caso das “Onças Brasileiras”, a forte presença do agronegócio, da mineração e da indústria de base pode atrair novos investimentos, melhorar margens e gerar impacto positivo em empresas listadas ligadas a logística, alimentos, proteínas, papel e celulose e commodities.

Para o investidor, movimentos de integração comercial tendem a ser oportunidades estruturais de longo prazo, especialmente em estados e setores mais competitivos internacionalmente, ainda que ajustes regulatórios e concorrenciais criem volatilidade no curto prazo.


Fontes:

  • InfoMoney