Ouro Rompe Marca Histórica de US$ 4.300 com Queda do Dólar e Clima de Incerteza em Nova York

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 16/10/2025

O metal precioso voltou a ocupar o centro das atenções nos mercados globais. Em meio ao aumento das tensões comerciais e à crescente expectativa de cortes de juros nos Estados Unidos, o ouro disparou nesta quinta-feira (16) e ultrapassou pela primeira vez a marca dos US$ 4.300 por onça-troy, em um movimento que reflete a busca por proteção em um cenário de instabilidade financeira. A prata também acompanhou a valorização e renovou máximas históricas.


Alta histórica impulsionada por fatores macroeconômicos

O contrato de ouro para dezembro, negociado na Comex (divisão de metais da Bolsa de Nova York), encerrou o pregão com alta de 2,45%, cotado a US$ 4.304,60 por onça-troy, após alcançar a máxima intradiária de US$ 4.314,70. Já a prata subiu 3,73%, fechando em US$ 53,29 por onça-troy, com pico de US$ 53,61 durante a sessão. Ambos os metais registraram recordes de fechamento.

O rali começou ainda nas primeiras horas do dia, sustentado por uma combinação de eventos que elevaram a procura por ativos considerados seguros. Entre os principais catalisadores estão a continuidade das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, o prolongamento do shutdown do governo americano, que já chega ao 16º dia, e sinais do Federal Reserve de que a autoridade monetária tende a apoiar cortes nas taxas de juros.


Nova York em aversão ao risco

A partir do início da tarde, o ambiente de incerteza aumentou, com uma forte deterioração no sentimento de risco em Wall Street. Esse movimento provocou a queda dos rendimentos dos Treasuries e a desvalorização do dólar, fatores que tradicionalmente reforçam a atratividade do ouro e da prata.

Analistas da Sucden Financial afirmaram que o ouro “continua atraindo investidores como um porto seguro em tempos de incerteza política e macroeconômica”.
Ahmad Assiri, estrategista da Pepperstone, destacou que os traders estão “navegando em um ambiente de incerteza de curto prazo”, especialmente porque a divulgação de dados econômicos importantes foi adiada devido à paralisação do governo americano.


O papel da prata no movimento

Assim como o ouro, a prata também atingiu novos recordes e segue em tendência de valorização.
De acordo com avaliação da Sucden Financial, o metal exerce papel duplo: atua tanto como ativo de investimento quanto como insumo industrial — o que amplia sua demanda, mas também adiciona volatilidade.
A corretora observou que a prata “parece presa em uma onda especulativa que pode se mostrar mais volátil e menos durável”, o que reforça a atenção dos investidores a possíveis correções nos próximos pregões.


Visão do Bolso do Investidor

O avanço expressivo do ouro e da prata reflete a perda de confiança nos ativos de risco e a expectativa de flexibilização monetária nos Estados Unidos. Para o investidor brasileiro, o movimento reforça duas leituras importantes:

  1. Proteção cambial e geopolítica — o ouro volta a atuar como ativo de segurança global, beneficiando portfólios dolarizados ou fundos atrelados a metais.
  2. Sinal de aversão internacional — a alta indica preocupação com o ritmo da economia norte-americana e pode antecipar correções nas bolsas globais, inclusive no Brasil.

No curto prazo, a valorização acima de US$ 4.300 reforça o caráter do ouro como hedge contra turbulências financeiras. Mas o investidor deve acompanhar possíveis realizações de lucro após uma sequência de altas consecutivas.


Conclusão e pontos de atenção

O rompimento da barreira histórica de US$ 4.300 marca um novo patamar para o mercado de metais preciosos.
Nos próximos dias, será essencial observar:

  • Novos discursos de dirigentes do Federal Reserve sobre política de juros;
  • A evolução do shutdown do governo americano;
  • Atualizações sobre a guerra comercial entre EUA e China;
  • A resposta dos mercados de câmbio e renda fixa à escalada dos metais.

O comportamento do ouro nas próximas sessões servirá como termômetro da confiança global — e como indicador do apetite (ou medo) dos investidores diante do cenário internacional incerto.



Fontes: InfoMoney