Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 26 de novembro de 2025

O ex-ministro da Economia e fundador da gestora YvY Capital, Paulo Guedes, afirmou nesta terça-feira (25) que o mundo está atravessando um “tsunami de conservadorismo”, expressão usada para descrever o que considera um colapso da ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. Durante um evento promovido pela UBS Wealth Management, Guedes declarou que a geopolítica passou a ocupar o papel central que antes era da economia liberal, transformando profundamente o cenário global.
Geopolítica no comando, liberalismo no banco de trás
Segundo Guedes, a ascensão de governos conservadores e a intensificação de conflitos geopolíticos estão moldando um novo equilíbrio de poder. Ele resumiu esse cenário afirmando que agora “é geopolítica na frente, conservadores na frente, liberalismo no banco de trás e socialistas fora da conversa”. Para o ex-ministro, o avanço da insegurança, política, social e econômica, fez com que populações ao redor do mundo buscassem mais proteção, o que estaria impulsionando essa guinada conservadora.
Democracias sob pressão e a mudança do eixo global
Em sua análise, Guedes afirmou que não é o capitalismo que está ameaçado, mas as democracias. Ele destacou que países ocidentais perderam dinamismo enquanto o Oriente emergiu com força, exemplificando com a China, que “mergulhou no capitalismo e tirou 700 milhões de pessoas da miséria”. Para ele, o mundo está menos integrado e mais movido por interesses nacionais, estratégicos e militares, marcando o fim da “arbitragem global” que guiou as últimas décadas.
O papel do Brasil em um mundo mais dividido
Guedes também afirmou que o Brasil tem condições de se beneficiar desse ambiente internacional mais competitivo, desde que reconheça e utilize suas vantagens estratégicas. Ele citou energia limpa, produção de alimentos, território vasto e capital humano como pilares de competitividade, mas enfatizou que o país precisa “sair do muro” e se posicionar com clareza no tabuleiro geopolítico. Segundo ele, o maior desafio brasileiro não é econômico, mas político e psicológico: “só falta acreditar no Brasil”.
O fim de uma era: a desordem pós-Segunda Guerra
Ao relembrar o período que sucedeu a Segunda Guerra Mundial, Guedes descreveu aquela fase como a ascensão das democracias liberais, marcadas por comércio global, avanços tecnológicos e interdependência econômica. Na visão do ex-ministro, esse ciclo começou a ruir com a invasão da Ucrânia pela Rússia e com a escalada de tensões no Oriente Médio, eventos que sinalizaram o fim de uma ordem baseada em cooperação e previsibilidade.
Visão Bolso do Investidor
As declarações de Paulo Guedes reforçam como o cenário internacional vive um processo acelerado de realinhamento geopolítico. Para investidores, períodos de transição global costumam gerar volatilidade, mas também criam oportunidades em setores ligados à segurança energética, alimentos, defesa e infraestrutura. No caso do Brasil, a combinação de commodities estratégicas, matriz energética renovável e grande mercado interno posiciona o país de forma privilegiada, desde que a estabilidade institucional e o ambiente de negócios acompanhem esse potencial. Entender como política e economia se entrelaçam tornou-se essencial para avaliar riscos e identificar tendências de médio e longo prazo.
Fontes: InfoMoney; O Globo
