Pentágono vai injetar US$ 1 bilhão em estoques de minerais críticos para reduzir dependência da China

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 13/10/2025


EUA reforçam estoques estratégicos com compras bilionárias
O Pentágono anunciou planos para investir até US$ 1 bilhão na compra de minerais críticos essenciais à indústria de defesa e tecnologia. A medida é coordenada pela Agência de Logística de Defesa (DLA) e tem como objetivo reforçar os estoques estratégicos dos Estados Unidos em meio à escalada das tensões comerciais com a China.

De acordo com informações obtidas pelo jornal Financial Times, o plano prevê a aquisição de aproximadamente US$ 500 milhões em cobalto, US$ 245 milhões em antimônio e US$ 100 milhões em tântalo, entre outros insumos considerados vitais. A estratégia busca reduzir a vulnerabilidade americana em cadeias produtivas dominadas por empresas chinesas.


Motivações e contexto geopolítico
A iniciativa ocorre logo após o governo chinês anunciar novas restrições à exportação de terras raras e minerais estratégicos. Essas substâncias são fundamentais para a fabricação de baterias, semicondutores, turbinas e armamentos — setores em que Pequim mantém forte posição global.

Nos bastidores, o movimento é interpretado como uma resposta direta à ampliação das sanções e tarifas impostas pelos Estados Unidos. O presidente Donald Trump havia sinalizado recentemente uma tarifa de 100% sobre produtos chineses, além de controles mais rígidos sobre exportações tecnológicas. O gesto do Pentágono, portanto, é visto como parte da mesma estratégia de contenção e reposicionamento geopolítico.


Efeitos esperados no mercado de minerais
Com uma demanda adicional de grande escala, o programa deve impactar os preços de minerais estratégicos, pressionando a oferta global. Países produtores de cobalto, antimônio e tântalo podem se beneficiar com aumento de demanda, especialmente na África e na América do Sul, onde há importantes reservas desses recursos.

A decisão também reforça a intenção dos Estados Unidos de estimular a produção doméstica e desenvolver parcerias com aliados estratégicos para garantir acesso estável a matérias-primas críticas, reduzindo a dependência do monopólio chinês no setor.


Riscos e desafios do plano americano
Apesar da importância estratégica, a execução do projeto enfrenta obstáculos. A logística de aquisição, a necessidade de certificação das fontes e o custo elevado de reposição de estoques são fatores que podem limitar o alcance da medida. Especialistas também alertam para possíveis retaliações comerciais, como restrições indiretas impostas pela China ou novas barreiras alfandegárias.

Internamente, a eficiência da Agência de Logística de Defesa será testada na administração e renovação desses estoques, que exigem controle de qualidade e gestão de validade para uso em equipamentos de alta tecnologia.


Conclusão
A decisão do Pentágono de destinar US$ 1 bilhão à compra de minerais críticos representa uma clara tentativa dos Estados Unidos de fortalecer sua segurança industrial e reduzir dependências externas em um cenário de crescente rivalidade com a China.

Mais do que uma ação econômica, trata-se de um movimento estratégico que reconfigura a disputa global por recursos essenciais à tecnologia, à energia e à defesa. Para o investidor, o recado é direto: o novo “campo de batalha” entre as potências pode gerar oportunidades no setor de mineração e provocar oscilações relevantes nos preços de commodities e ativos ligados à cadeia de metais estratégicos.

Fontes: InfoMoney –