Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 28 de novembro de 2025

O conselho de administração da Petrobras (PETR3; PETR4) aprovou nesta quinta-feira um novo plano de investimentos de US$ 109 bilhões para o período entre 2026 e 2030. O valor representa uma leve redução de 1,8% em relação ao ano anterior, decisão que a companhia justifica por um cenário de preços mais baixos para o petróleo. Segundo informações da Reuters, o projeto foi aprovado por unanimidade pelo conselho.
A empresa afirmou que a redução já era esperada, movimento antecipado pela Bloomberg. Do total aprovado, US$ 91 bilhões serão destinados à Carteira de Implantação e US$ 18 bilhões à Carteira em Avaliação. Dentro da Carteira de Implantação, o montante foi dividido entre projetos de “base”, com orçamento aprovado no plano (US$ 81 bilhões), e projetos “alvo”, que dependem de análise de financiabilidade (US$ 10 bilhões).
A Petrobras destacou que o plano prevê uma maior eficiência na alocação do Capex. A companhia estima economizar US$ 12 bilhões em custos operacionais gerenciáveis entre 2025 e 2030, uma redução média anual de 8,5% frente ao plano anterior. As medidas incluem diminuição de gastos em plataformas sem produção, otimização de logística aérea e marítima, intervenções em poços, inspeções submarinas, aproveitamento de fretes de retorno e postergação de serviços considerados não prioritários.
Na distribuição anual dos investimentos, o planejamento prevê aplicação de US$ 19,4 bilhões em 2026, US$ 21 bilhões em 2027, US$ 20,5 bilhões em 2028, US$ 16,1 bilhões em 2029 e US$ 14,3 bilhões em 2030. Para 2026, o investimento de caixa será de US$ 16,9 bilhões, com projeção de produção de 2,5 milhões de barris por dia. O volume deve subir para 2,7 milhões em 2028, ficando em 2,6 milhões entre 2029 e 2030.
No segmento de exploração, o plano direciona US$ 7,1 bilhões para atividades exploratórias entre 2026 e 2030. As prioridades incluem as bacias do Sul e Sudeste, a Margem Equatorial e ativos internacionais em países como Colômbia, São Tomé e Príncipe e África do Sul.
Prioridade continua sendo Óleo e Gás
A Petrobras reforçou que petróleo e gás seguem como foco estratégico da companhia. Dos US$ 109 bilhões, cerca de US$ 78 bilhões serão destinados a Exploração e Produção (E&P). Desse total, US$ 69,2 bilhões correspondem a projetos da Carteira de Implantação Alvo em E&P. A companhia detalhou a distribuição: 62% no Pré-Sal, 24% em campos do Pós-Sal, 10% em Exploração e 4% em outros segmentos, como projetos em terra, águas rasas, ativos no exterior e iniciativas de descarbonização. A estatal projeta ainda um Custo Total do Petróleo Produzido (CTPP) médio de US$ 30,4 por barril entre 2026 e 2030. O valor inclui despesas de extração, participações governamentais, depreciação e depleção, uma redução de cerca de US$ 6 por barril em relação ao plano anterior.
Refino e transição energética ganham espaço
O plano atribui US$ 20 bilhões ao segmento de Refino, Transporte, Comercialização, Petroquímica e Fertilizantes (RTC). A ênfase está em combustíveis de alta qualidade e baixo carbono, além da expansão do parque de refino. A Petrobras projeta elevar a produção de diesel de 40% para 45%.
Para iniciativas de gás e energias de baixo carbono, serão destinados US$ 9 bilhões. Considerando todas as ações voltadas à transição energética, incluindo bioprodutos, projetos de baixo carbono e iniciativas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, o investimento chega a US$ 13 bilhões, ou 12% do total previsto.
Visão Bolso do Investidor
A redução do plano de investimentos, embora pequena, reforça o movimento de ajuste da Petrobras diante das expectativas de preços mais baixos do petróleo nos próximos anos. Ao mesmo tempo, a empresa mantém forte foco em exploração e produção, especialmente no Pré-Sal, enquanto avança de maneira gradual em iniciativas de transição energética. Para investidores, o plano indica uma estratégia mais equilibrada entre eficiência operacional, disciplina de capital e diversificação de portfólio, sem alterar a essência do negócio principal da companhia.
Fontes: InfoMoney; Reuters
