Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 31 de dezembro de 2025

Os preços do petróleo encerram 2025 acumulando a maior queda anual desde 2020, refletindo um cenário global marcado por excesso de oferta, aumento da produção e incertezas geopolíticas. Mesmo com leve alta nas cotações nesta quarta-feira (31), o movimento de baixa no ano está consolidado.
O petróleo Brent, referência internacional, acumula queda superior a 17% em 2025, registrando o terceiro ano consecutivo de perdas, a sequência negativa mais longa da série histórica. Já o petróleo norte-americano West Texas Intermediate (WTI) caminha para uma desvalorização anual próxima de 19%.
Segundo analistas, o fraco desempenho do petróleo ocorre apesar de um ambiente global ainda instável, com conflitos internacionais, sanções a países produtores e aumento de tarifas comerciais. O fator dominante em 2025 foi a expansão da oferta, impulsionada pela produção da Opep+ e pelo avanço do petróleo de xisto nos Estados Unidos.
Jason Ying, analista de commodities do BNP Paribas, avalia que o Brent pode cair para cerca de US$ 55 por barril no primeiro trimestre de 2026, antes de se recuperar para a faixa de US$ 60 ao longo do ano, à medida que o crescimento da oferta se normalize e a demanda se mantenha estável.
De acordo com o analista, um dos fatores que sustentam a produção elevada é a estratégia de hedge adotada pelos produtores de xisto nos EUA, que conseguiram travar preços em níveis mais altos. Isso torna a oferta menos sensível às oscilações recentes do mercado, mantendo o volume produzido mesmo com preços mais baixos.
No curto prazo, os preços também seguem pressionados pelo aumento dos estoques nos Estados Unidos. Dados preliminares do American Petroleum Institute indicaram alta nos estoques de petróleo bruto e combustíveis na última semana, reforçando a percepção de desequilíbrio entre oferta e demanda.
Visão Bolso do Investidor
A forte queda do petróleo em 2025 ajuda a conter pressões inflacionárias globais, mas impõe desafios fiscais e cambiais a países exportadores de commodities. Para investidores, o cenário reforça a importância de cautela com ativos ligados ao setor de energia no curto prazo, ao mesmo tempo em que abre espaço para oportunidades táticas caso a recuperação projetada para 2026 se confirme.
Fontes: InfoMoney
