Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 30 de janeiro de 2026

As investigações conduzidas pela Polícia Federal no caso do Banco Master indicam possíveis ligações com políticos detentores de foro por prerrogativa de função. De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, provas reunidas na primeira fase da Operação Compliance Zero, que teve como principal alvo o empresário Daniel Vorcaro, fazem referência a lideranças partidárias e a autoridades de alto escalão.
Segundo os relatos, as apurações relacionadas a essas autoridades deverão tramitar no Supremo Tribunal Federal, caso o envolvimento seja confirmado. Até o momento, os nomes citados nos materiais apreendidos não foram divulgados.
As menções a políticos, conforme a reportagem, não estariam diretamente ligadas ao inquérito que investiga a suposta fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Banco Master nem à negociação envolvendo a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). Ainda assim, os elementos encontrados podem dar origem a investigações paralelas.
Daniel Vorcaro ganhou projeção no meio político de Brasília após construir uma rede de relações com parlamentares e promover encontros em uma mansão no Distrito Federal. Embora essas conexões não tenham, até agora, vínculo direto com a fraude bancária investigada, dados extraídos de celulares e computadores apreendidos do empresário levantaram a possibilidade de um aprofundamento das apurações, com dimensão potencialmente comparável a grandes operações anteriores de combate à corrupção.
As novas informações passarão por análise detalhada para verificar se houve participação de autoridades nos esquemas atribuídos a Vorcaro. Esses dados se somam aos elementos já coletados na segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura o uso de fundos de investimento administrados pela gestora Reag para o suposto desvio de recursos captados pelo Banco Master por meio da venda de CDBs.
Caso o inquérito relacionado à negociação entre BRB e Banco Master seja remetido à Justiça de primeira instância, uma eventual investigação envolvendo políticos com foro privilegiado poderá continuar sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal.
Nesta semana, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, deve analisar a possibilidade de envio das investigações sobre o Banco Master à primeira instância após a conclusão das apurações. Em nota, o gabinete do ministro afirmou que, encerradas as investigações, será possível examinar os casos para eventual remessa às instâncias ordinárias, sem risco de nulidades relacionadas ao foro por prerrogativa de função ou à violação do devido processo legal e da ampla defesa.
Toffoli tem sido alvo de críticas por sua atuação no caso, especialmente após decisões consideradas controversas e após a divulgação de informações sobre supostas ligações de familiares do ministro com o controlador do Banco Master. O gabinete ressaltou que Toffoli foi sorteado como relator da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na tentativa de venda do banco ao BRB.
Após a divulgação da nota, o ministro determinou a suspensão do sigilo dos depoimentos relacionados à suposta fraude envolvendo a venda de ativos do BRB pelo Banco Master.
O caso, que inicialmente tramitava na Justiça Federal, foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal após pedido da defesa de Vorcaro. A solicitação teve como fundamento a citação do deputado João Carlos Bacelar, que não figura como investigado no inquérito.
O avanço das investigações e a possibilidade de envolvimento de autoridades com foro privilegiado ampliam o alcance institucional do caso Banco Master. Para investidores, episódios desse tipo tendem a elevar a percepção de risco jurídico e regulatório, além de gerar incertezas sobre governança e supervisão no sistema financeiro. O desfecho das apurações e a definição das instâncias responsáveis pelo julgamento serão fatores relevantes para a leitura do impacto sistêmico do caso e para a confiança no ambiente institucional.
Fontes:
- InfoMoney
