Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 20/10/2025

Introdução
A economia chinesa registrou o crescimento mais fraco em um ano, com avanço de 4,8% no terceiro trimestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O resultado confirma a desaceleração gradual da segunda maior economia do mundo e reforça o alerta de investidores globais sobre os desdobramentos dessa perda de ritmo. O enfraquecimento da demanda interna, a crise persistente do setor imobiliário e as tensões comerciais com os Estados Unidos estão entre os principais fatores que vêm limitando a recuperação do país.
Ritmo de crescimento mais lento e sinais de alerta
De acordo com dados oficiais do governo chinês, o crescimento de 4,8% representa uma queda em relação aos 5,2% observados no segundo trimestre, confirmando a tendência de moderação que vinha sendo sinalizada pelos indicadores de atividade. Embora o número tenha ficado dentro das projeções do mercado, trata-se do desempenho mais fraco desde o terceiro trimestre de 2024.
A produção industrial cresceu 6,5% em setembro, resultado acima do esperado, mas as vendas no varejo avançaram apenas 3%, indicando uma desaceleração do consumo das famílias. Já os investimentos em ativos fixos recuaram 0,5% entre janeiro e setembro, enquanto o setor de propriedades imobiliárias apresentou queda expressiva de 13,9% no mesmo período.
Esses dados reforçam o diagnóstico de que a retomada pós-pandemia ainda enfrenta barreiras estruturais, com uma economia que cresce mais por estímulos estatais do que por força da demanda doméstica.
Crise imobiliária e fragilidade do consumo interno
O setor imobiliário continua sendo o principal ponto de tensão na economia chinesa. O excesso de oferta de imóveis, a inadimplência de grandes incorporadoras e a falta de confiança dos compradores resultaram em um ciclo prolongado de retração. Esse cenário afeta não apenas a construção civil, mas também a arrecadação fiscal local e o setor bancário, que carrega parte dos riscos de crédito.
Além disso, o consumo interno segue enfraquecido, refletindo o desemprego urbano elevado e a preferência das famílias por poupar em vez de gastar. A incerteza quanto à estabilidade do emprego e o aumento do custo de vida têm reduzido a propensão ao consumo, o que, por sua vez, limita o espaço para uma recuperação sustentável.
O governo chinês tem anunciado pacotes de crédito e incentivos ao consumo, mas o impacto desses estímulos tem sido pontual e insuficiente para gerar um ciclo de crescimento consistente.
Impactos sobre o comércio e os mercados internacionais
A desaceleração chinesa tende a afetar diretamente mercados emergentes e exportadores de commodities, especialmente países latino-americanos, africanos e asiáticos que dependem da demanda chinesa por minério, petróleo e alimentos.
O mercado financeiro global também sente o efeito indireto: bolsas asiáticas apresentaram volatilidade após a divulgação dos dados, enquanto o preço do minério de ferro e do cobre caiu nos primeiros dias de reação. Analistas apontam que uma China crescendo abaixo de 5% reduz a projeção de lucros de empresas industriais e pressiona o apetite global por risco.
Além disso, o enfraquecimento da economia chinesa pode levar o governo a adotar novas medidas de estímulo fiscal e monetário, o que altera a dinâmica global de liquidez e pode influenciar decisões de bancos centrais em outras partes do mundo.
Análise do Bolso do Investidor
O resultado do PIB chinês mostra que a economia mundial continua dependente do desempenho da China — mas essa dependência já não traz o mesmo impulso de crescimento de anos anteriores. Para o investidor, o momento exige atenção redobrada em setores sensíveis ao ciclo chinês, como commodities, infraestrutura e exportações.
Por outro lado, uma desaceleração mais acentuada pode abrir espaço para oportunidades: caso o governo chinês adote novos pacotes de estímulo, ativos ligados a metais, energia e consumo interno podem se recuperar parcialmente. A recomendação, no entanto, é manter uma postura de diversificação e cautela, priorizando ativos menos expostos a riscos de desaceleração global.
Fechamento e o que acompanhar
Nas próximas semanas, o mercado estará de olho nas decisões de política monetária chinesa e em eventuais novos pacotes de estímulo. Os dados de vendas no varejo, produção industrial e investimento estrangeiro direto serão fundamentais para medir a força real da economia no quarto trimestre.
Para o investidor, entender a nova fase da China — mais lenta, mais cautelosa e menos focada em expansão acelerada — é essencial. O país ainda será protagonista global, mas com um perfil de crescimento diferente, voltado à estabilidade interna. O desafio agora é adaptar-se a essa nova realidade econômica.
Fontes: InfoMoney
