PIB de 2026 deve crescer perto de 1,7% em cenário de desaceleração e cautela

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 2 de janeiro de 2026

A economia brasileira deve seguir em desaceleração em 2026, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) próximo de 1,7%, segundo projeções das principais casas de análise e instituições financeiras. O desempenho esperado é inferior ao de 2025 e reflete a combinação de juros ainda elevados, estímulos fiscais pontuais e incertezas associadas ao ano eleitoral.

Apesar da expectativa de início do ciclo de corte da taxa Selic ao longo do ano, o consenso é que os juros permanecerão em patamar restritivo, encerrando 2026 entre 12% e 12,75%. Esse nível tende a limitar investimentos e consumo, ao mesmo tempo em que contribui para o controle da inflação.

Economistas apontam que a desaceleração será generalizada nos setores mais sensíveis ao crédito, como indústria, comércio, serviços e construção civil. Atividades menos afetadas pelos juros, como agronegócio e indústria extrativa, devem apresentar desempenho relativamente melhor.

Instituições como Itaú Unibanco e XP Investimentos revisaram suas projeções para o PIB de 2026 para 1,7%, citando o impacto de políticas públicas e estímulos fiscais. Entre os fatores de suporte estão a ampliação da isenção do Imposto de Renda, programas habitacionais e a expansão do crédito consignado privado.

A XP estima que medidas de estímulo podem adicionar cerca de 0,8 ponto percentual ao crescimento do PIB em 2026, enquanto o Itaú avalia que a atividade deve ser mais forte no primeiro semestre, influenciada por fatores sazonais, como a safra agrícola.

Por outro lado, gestores e executivos do mercado financeiro alertam que o custo do dinheiro segue como o principal entrave à aceleração da economia. A inflação de serviços, pressionada por um mercado de trabalho ainda aquecido, deve permanecer acima da meta, reforçando a postura cautelosa do Banco Central do Brasil.

Visão Bolso do Investidor

O cenário para 2026 indica um “pouso suave” da economia brasileira: crescimento moderado, sem recessão, mas também sem forte aceleração. Para investidores, o ambiente exige seletividade, atenção à política monetária e foco em setores menos sensíveis aos juros, além de disciplina na gestão de riscos em um ano marcado por incertezas políticas e fiscais.

Fontes: InfoMoney