Pix ganha nova ferramenta de rastreamento e devolução de dinheiro em casos de fraude; veja como funciona

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 25 de novembro de 2025

A nova versão do Mecanismo Especial de Devolução (MED), sistema que permite rastrear e devolver valores em situações de fraude envolvendo o Pix, já está em funcionamento desde o último domingo. A atualização amplia a capacidade de identificar o caminho percorrido pelo dinheiro em casos de golpes, fraudes ou coerções. Embora o uso da ferramenta ainda seja opcional para as instituições financeiras, ela se tornará obrigatória a partir de 2 de fevereiro de 2026.

Lançado originalmente em 2021, um ano após a criação do Pix, o MED foi desenvolvido para agilizar a restituição de valores a clientes vítimas de fraudes. No entanto, já em 2022, o Banco Central e as instituições financeiras identificaram a necessidade de ampliar o mecanismo, devido à velocidade com que criminosos transferem valores entre contas antes que qualquer bloqueio inicial seja aplicado.

No modelo original, a devolução considerava apenas a primeira conta usada na fraude, limitação que dificultava a recuperação dos recursos desviados. Com o aprimoramento, o MED passa a acompanhar os “possíveis caminhos dos recursos”, permitindo rastrear movimentações subsequentes e compartilhando essas informações com todos os bancos envolvidos na transação. Com isso, a devolução poderá ocorrer em até 11 dias após o registro da contestação pelo cliente.

Botão de contestação

Desde 1º de outubro, o Pix conta com a funcionalidade conhecida como “botão de contestação”, integrada ao MED. O recurso pode ser acionado diretamente no aplicativo da instituição financeira quando o usuário identificar uma fraude, golpe ou situação de coerção.

O Banco Central afirma que essa ferramenta foi criada para facilitar o processo de contestação, tornando-o totalmente digital e eliminando a necessidade de contato direto com atendentes. A funcionalidade acelera o bloqueio dos valores envolvidos e aumenta a probabilidade de devolução às vítimas.

Como pedir o Pix de volta?

De acordo com o Banco Central, o usuário que identificar uma transação indevida deve solicitar a devolução na sua instituição financeira em até 80 dias após a realização do Pix. Depois disso, o processo ocorre da seguinte forma:

  1. O cliente registra a reclamação na instituição financeira.
  2. A instituição analisa o caso e, se constatar sinais de golpe, os recursos na conta do destinatário do Pix são bloqueados.
  3. O caso é investigado em até 7 dias. Se for determinado que não houve fraude, os valores são desbloqueados para o recebedor.
  4. Se for confirmado que houve fraude, o cliente recebe o dinheiro de volta — total ou parcialmente — em até 96 horas, desde que haja saldo disponível na conta do fraudador.
  5. Quando a devolução for parcial, o banco do fraudador deve realizar novos bloqueios e devoluções sempre que a conta receber créditos, até alcançar o valor total contestado ou até que se completem 90 dias da transação original.

Visão Bolso do Investidor

A ampliação do MED reforça a estratégia do Banco Central de fortalecer a segurança do Pix, hoje o principal meio de pagamento do país. A capacidade de rastrear o “caminho do dinheiro” aumenta as chances de recuperação de valores e dificulta a atuação de quadrilhas especializadas em movimentação rápida de recursos. Para o investidor e para o usuário comum, o mecanismo traz maior segurança e previsibilidade ao uso do sistema, sem comprometer sua agilidade. Também reforça a importância de monitorar transações e agir rapidamente em caso de suspeita de fraude, já que prazos como os 80 dias para contestação são determinantes no sucesso da devolução.


Fontes:

  • Infomoney