Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 27 de novembro de 2025

Durante duas décadas, o Nordeste foi considerado o reduto eleitoral mais sólido do PT. No entanto, essa condição tem se alterado. Pesquisadores ouvidos em evento promovido pelo UBS com empresários e clientes nesta quarta-feira (26) afirmam que a região segue estratégica para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas já não representa apoio automático. O desgaste local, mudanças sociais e o avanço da violência vêm transformando o cenário político.
Segundo o cientista político Andrei Roman, cofundador da AtlasIntel, há uma mudança estrutural no comportamento do eleitorado nordestino. Pesquisas recentes mostram queda no desempenho de Lula na região, resultado da combinação de fatores que antes sustentavam uma estabilidade eleitoral maior.
Bolsa Família perde força como elo político
O primeiro fator apontado por Roman é a perda de peso simbólico dos programas de transferência de renda. Durante anos, o Bolsa Família funcionou como principal ligação entre o Nordeste e o PT, mas essa centralidade diminuiu. A longevidade do programa e a ampliação de seu valor durante o governo Jair Bolsonaro reduziram o impacto político direto do benefício.
Roman observa que, hoje, não há mais um temor significativo de que um governo de direita encerre o programa, o que enfraqueceria o vínculo automático com o lulismo.
Desgaste de governadores aliados
Outro elemento citado pelo pesquisador é a queda de popularidade de governadores ligados à esquerda. Ele menciona Bahia e Ceará como exemplos de declínio expressivo na aprovação. Segundo Roman, quando gestores estaduais perdem apoio, parte desse desgaste acaba respingando no governo federal, refletindo diretamente no desempenho político do presidente na região.
Avanço da violência e do crime organizado
O terceiro ponto é a deterioração da segurança pública, especialmente fora das capitais. Roman destaca que o avanço do crime organizado tem afetado cidades médias e pequenos municípios, ampliando o sentimento de insegurança. Essa percepção prejudica a imagem de eficiência estatal e aumenta a frustração tanto com administrações locais quanto com o governo federal.
Mudança no perfil do eleitor decisivo
Além desses fatores, o perfil do eleitor mais determinante no Nordeste também mudou. O “swing voter” da região, aquele que pode definir resultados, está concentrado nas periferias urbanas. Trata-se de um eleitor menos fiel ao lulismo, mais sensível ao custo de vida e à qualidade dos serviços públicos, e que reage menos ao debate ideológico e mais ao impacto direto no cotidiano.
O resultado desse conjunto de transformações é um Nordeste politicamente mais competitivo. Não se trata de um rompimento com o PT, mas de um ambiente que exige maior atenção, respostas mais rápidas e estratégias que ultrapassem o apelo histórico dos programas sociais.
Essa mudança também altera a dinâmica da disputa nacional. Se antes o forte desempenho no Nordeste compensava eventuais perdas no Sudeste, agora ambos os blocos tendem a apresentar disputas acirradas. Assim, as periferias das grandes capitais nordestinas ganham peso ainda maior no tabuleiro eleitoral de 2026.
Visão Bolso do Investidor
As transformações descritas no cenário político do Nordeste têm implicações diretas para investidores. Um ambiente eleitoral mais competitivo aumenta a imprevisibilidade sobre políticas econômicas, fiscais e sociais. A perda de estabilidade em um reduto historicamente alinhado a um grupo político pode alterar expectativas de mercado, percepção de risco e estratégias de curto prazo. Em um ano eleitoral marcado por maior volatilidade nacional, acompanhar a evolução do comportamento regional e seu impacto no equilíbrio de forças se torna essencial para decisões informadas.
Fontes:
- Infomoney
