Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 7 de dezembro de 2025

A poupança voltou a apresentar resultado negativo em novembro e registrou seu quinto mês consecutivo de saques líquidos, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira. No mês, a saída líquida somou R$ 2,857 bilhões, ampliando o movimento de retirada observado ao longo do segundo semestre. O comportamento reflete a preferência crescente dos investidores por alternativas de maior rentabilidade em um cenário de juros elevados, reduzindo o apelo da aplicação mais tradicional do país.
Retiradas acumuladas no ano ultrapassam R$ 90 bilhões
Com o resultado de novembro, o saldo líquido da poupança no acumulado de 2025 chegou a R$ 90,978 bilhões em retiradas. O movimento reforça a tendência de esvaziamento que vem sendo registrada desde o início do ano, mesmo com o alto volume histórico de recursos depositados na caderneta. A combinação entre juros elevados, inflação controlada e maior oferta de produtos acessíveis de renda fixa contribui para a migração de investidores em busca de melhor retorno.
Desempenho do SBPE e da poupança rural
Os dados também mostram que, em novembro, o Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo apresentou saldo negativo de R$ 519,407 milhões. Na modalidade rural, as retiradas líquidas somaram R$ 2,338 bilhões, ampliando o impacto mensal. Ambos os segmentos registram tendência semelhante ao comportamento geral da poupança, influenciados pelo aumento das opções de crédito e de investimentos com rentabilidade superior.
Rentabilidade ainda pressionada pela Selic elevada
A remuneração da poupança permanece determinada pela fórmula que combina a taxa referencial com um rendimento fixo de 0,5% ao mês, estrutura válida enquanto a taxa Selic estiver acima de 8,5% ao ano. Com a Selic atualmente em 15%, a rentabilidade da caderneta continua inferior à de outros instrumentos de renda fixa, como CDBs, LCIs, LCAs e títulos públicos, o que reforça a preferência dos investidores por opções que oferecem retornos mais competitivos em um ambiente de juros altos.
Visão Bolso do Investidor
A continuidade das retiradas da poupança ao longo de 2025 indica um processo de mudança na forma como o brasileiro tem utilizado e alocado seus recursos financeiros. Com a taxa Selic em patamar elevado, produtos simples e acessíveis de renda fixa tornam-se mais atrativos que a poupança tradicional, incentivando a busca por alternativas mais rentáveis. Para o investidor, esse cenário reforça a importância de compreender como diferentes instrumentos se comportam em ambientes de juros altos e de avaliar o impacto da rentabilidade real, o retorno ajustado pela inflação, na construção de uma estratégia financeira sustentável ao longo do tempo.
Fontes: Reuters
