Presidente do BRB descarta privatização e afirma que banco manterá foco regional e reforçará capital

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 8 de fevereiro de 2026

O presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, afirmou que a instituição não será privatizada nem federalizada enquanto ele estiver à frente da direção do banco. Em entrevista divulgada neste domingo ao jornal O Estado de S. Paulo, o executivo também sinalizou que o BRB vai reduzir sua ambição de expansão nacional e priorizar seu papel regional com foco em solidez financeira e sustentabilidade operacional.

A declaração ocorre em meio a um processo de reorganização interna do banco, que enfrenta os desdobramentos do chamado “caso Master”, no qual operações com ativos do extinto Banco Master geraram perdas significativas e levaram a instituição a elaborar um plano de recomposição de capital apresentado ao Banco Central do Brasil. O documento contempla medidas para reforçar o balanço e a liquidez da instituição ao longo dos próximos meses, embora os valores específicos dos aportes ainda dependam de conclusão das apurações e de eventuais definições do controlador, que é o Governo do Distrito Federal.

Foco regional e ajuste estratégico

Segundo Souza, a estratégia do banco nos próximos anos é consolidar sua atuação no Distrito Federal e regiões próximas, em vez de tentar replicar um modelo de atuação nacional que, em sua visão, exigiria uma estrutura mais ampla e poderia comprometer a sustentabilidade da instituição. “É preferível encolher agora para voltar mais forte depois”, afirmou, destacando a necessidade de criar bases sólidas antes de buscar expansão. A mudança de foco busca fortalecer a saúde financeira do banco em um momento em que seus ativos e prática de crédito estão sob maior escrutínio, especialmente após a investigação sobre ativos adquiridos do Banco Master.

Plano de capital apresentado ao Banco Central

Na última sexta-feira, o BRB entregou ao Banco Central seu “Plano de Capital”, que reúne medidas para recompor o patrimônio e reforçar reservas de liquidez em até 180 dias, caso a necessidade de aporte seja confirmada. O plano foi apresentado pessoalmente pelo presidente do banco e contou com a participação do secretário de Economia do Distrito Federal, reforçando o compromisso do controlador com a estabilidade da instituição e a proteção de clientes, investidores e parceiros. O documento prevê ações preventivas de recomposição de capital, mas não detalha os valores que poderão ser necessários para essa recomposição.

Repercussões do “caso Master”

O ajuste estratégico do BRB está diretamente ligado aos impactos acumulados após a compra de carteiras de crédito relacionadas ao Banco Master, cuja liquidação em 2025 resultou em prejuízos e investigações envolvendo fraudes financeiras. Autoridades estimam que o banco precisaria provisionar mais de R$ 5 bilhões para cobrir perdas associadas a essas transações, de acordo com informações citadas por autoridades do sistema financeiro.

Visão Bolso do Investidor

Para o mercado financeiro, a reafirmação de que o BRB não será privatizado ou federalizado traz algum alívio em um período de incertezas após o “caso Master”. A decisão de focar a atuação na região e fortalecer o capital deve trazer maior previsibilidade sobre os rumos da instituição e reduzir o risco de volatilidade nas ações. Ainda assim, o plano de recomposição de capital e a necessidade de eventuais aportes exigem atenção, pois implicam impacto nas contas do acionista controlador e podem demandar apoio político da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Para investidores, acompanhar a evolução das medidas de capitalização e desdobramentos do caso Master será essencial para avaliar a solidez e o potencial de retomada de crescimento do banco no médio prazo.

Fontes: Agência Brasil; Correio Braziliense; Jovem Pan