Profissão de assessor de investimentos se multiplica no Brasil e cresce mais de 500% em uma década

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 21 de janeiro de 2026

O mercado de assessoria de investimentos no Brasil passou por uma expansão acelerada nos últimos dez anos. De acordo com o relatório anual consolidado da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), o número de assessores de investimento credenciados no país cresceu 502% entre 2016 e 2025.

Ao final de 2025, o Brasil contabilizava 27.515 assessores de investimento registrados, o que representa um avanço de 3,25% em relação a 2024, confirmando a trajetória de crescimento contínuo da atividade no mercado financeiro nacional.


Fonte: Relatório da Ancord


Expansão do vínculo com instituições financeiras

Além do aumento no número total de profissionais, o levantamento também aponta crescimento no contingente de assessores vinculados a instituições da indústria de intermediação financeira. Em 2025, 20.171 assessores mantinham vínculo ativo com corretoras ou distribuidoras, número 281 superior ao registrado no ano anterior.

Segundo a Ancord, esse movimento reflete a ampliação da demanda por atendimento personalizado e pela intermediação profissional de investimentos em um ambiente financeiro cada vez mais complexo.

“Temos assessores de investimento em todo o território nacional, responsáveis por oferecer um atendimento de qualidade aos investidores, de forma próxima e alinhada às realidades regionais de um país com dimensões continentais. A Ancord cumpre seu papel ao colaborar para a capilarização desse atendimento e para o desenvolvimento do setor”, afirmou Rafael Furlanetti, presidente da associação.


Distribuição regional dos assessores

O relatório evidencia diferenças relevantes na distribuição geográfica dos profissionais, com destaque para o avanço da representatividade na região Sul. Em 2025, o Sul passou a concentrar 24,3% do total de assessores, frente a 23,8% em 2024, somando 6.686 profissionais nos três estados da região.

Entre os destaques regionais:

Norte: o Pará lidera, com 170 assessores

Centro-Oeste: Goiás aparece à frente, com 599 profissionais

Sul: o Rio Grande do Sul é o principal polo, com 2.883 assessores

Nordeste: a Bahia concentra 562 profissionais

Sudeste: São Paulo mantém ampla liderança nacional, com 11.030 assessores de investimento

A concentração no Sudeste reflete a maior densidade de investidores, instituições financeiras e escritórios de assessoria, embora outras regiões apresentem crescimento gradual.


Educação e acesso à profissão

A Ancord atribui parte relevante dessa expansão aos investimentos realizados nos últimos quatro anos em modernização de processos, tecnologia e capacitação profissional. Um dos principais fatores foi a consolidação do Exame de Certificação em formato online, que ampliou o acesso à profissão e permitiu a participação de candidatos de todas as regiões do país.

Além disso, a entidade mantém o Programa de Educação Continuada (PEC), voltado ao aprimoramento técnico dos profissionais já certificados. Atualmente, o programa oferece:

702 cursos disponíveis

Mais de 6 mil horas de conteúdo

Aproximadamente 4 mil créditos gratuitos

A iniciativa busca garantir atualização permanente diante das constantes mudanças regulatórias, tecnológicas e de produtos no mercado financeiro.


Perfil etário dos assessores de investimento

O levantamento também traça o perfil etário da categoria. Os dados mostram que a profissão é majoritariamente ocupada por profissionais em idade economicamente ativa, com forte presença de jovens adultos.

A distribuição por faixa etária é a seguinte:

18 a 25 anos: 10%

26 a 45 anos: 65%

46 a 55 anos: 16%

Acima de 56 anos: 9%

Segundo a Ancord, a concentração entre 26 e 45 anos reflete a atratividade da carreira para profissionais que buscam crescimento de longo prazo em um setor em expansão.


Visão Bolso do Investidor

O crescimento acelerado do número de assessores de investimento reflete a sofisticação do mercado financeiro brasileiro e a maior demanda por orientação profissional. Ao mesmo tempo, o avanço da categoria reforça a importância da qualidade do atendimento, da transparência na remuneração e do alinhamento de interesses entre assessor e investidor. Para o investidor, o desafio passa a ser escolher profissionais bem qualificados, com certificação ativa e postura fiduciária, em um mercado cada vez mais amplo e competitivo.


Fontes:

  • InfoMoney