Profissões em alta em 2026: demanda cresce, salários ficam mais negociáveis e empresas elevam exigência por habilidades-chave

Escrito por: Equipe Bolso do Investidor
Data da publicação: 06 de janeiro de 2026

Se 2025 evidenciou com força a disputa por profissionais qualificados, 2026 tende a consolidar o que especialistas em recursos humanos definem como “mercado de candidato”. Esse cenário se forma quando o desemprego atinge patamares baixos e as empresas, pressionadas por eficiência e transformação digital, precisam negociar de maneira diferente, enquanto os trabalhadores ganham mais poder de escolha, seja sobre salário, benefícios, propósito ou modelo de trabalho.

O resultado é uma disputa por talentos em que a tecnologia tem grande peso, mas o diferencial final costuma estar em competências humanas, segundo especialistas ouvidos pelo InfoMoney. Nesse contexto, profissionais que sabem usar ferramentas de Inteligência Artificial para resolver problemas reais do negócio, se comunicar com clareza, negociar com precisão e atuar sob pressão podem sair em vantagem, de acordo com o levantamento mais recente da consultoria Robert Half.

O Guia Salarial 2026 da empresa projeta salários iniciais e indica um conjunto de competências valorizadas em praticamente todos os setores: digitalização, eficiência operacional e habilidades comportamentais. A mensagem central é que não basta dominar ferramentas; é necessário entender por que utilizá-las e como transformar resultados em decisões e entregas concretas.

Segundo o gerente de negócios da Robert Half, Müller Gomes, a pesquisa é realizada há 70 anos no mundo e há 18 anos no Brasil, mapeando tendências do mercado de trabalho. Ele afirma que falar de tecnologia tornou-se inevitável, mas com um foco novo: tecnologia aplicada ao negócio, incluindo o uso de IA. Como exemplo, ele lembra que ao estudar psicologia não imaginava que dependeria de tecnologia para atuar em recursos humanos, mas hoje essas ferramentas são essenciais até para processos de seleção.

Ao mesmo tempo, o mercado vive um movimento de maior seletividade em parte das organizações, com contratações mais cirúrgicas e negociações salariais mais intensas, especialmente em cargos de alta liderança. A lógica, segundo especialistas, é que empresas em modo defensivo contratam menos e escolhem melhor, enquanto empresas em modo ofensivo aceleram contratações e fazem ofertas mais agressivas para funções críticas. Nesse contexto, podem coexistir congelamentos pontuais e pacotes elevados para posições estratégicas.

Termômetro: alta liderança e rotatividade no restante do mercado

Um indicador desse “duplo jogo” aparece na alta gestão. Uma pesquisa da consultoria Michael Page aponta que a remuneração fixa média de presidentes e diretores executivos no Brasil permaneceu estável pelo segundo ano consecutivo, refletindo incertezas políticas e econômicas. A estabilidade, porém, não é sinal de conforto, segundo a empresa, mas de maior cobrança por entrega, liderança em transformação digital e capacidade de engajar equipes em cenários complexos. Para 2026, o recado para executivos é de menos reajuste automático e mais demonstração objetiva de valor.

Nos demais níveis, a rotatividade tende a continuar elevada. Um levantamento da Catho indica que mais de 40% dos profissionais pretendem migrar de carreira em 2026. Os gatilhos para mudança vão além do salário, incluindo plano de carreira, qualidade de vida, ambiente saudável e benefícios, que passaram a pesar mais nas decisões. Na prática, o processo seletivo virou uma via de mão dupla: empresas avaliam candidatos, mas candidatos também avaliam empresas.

Onde estarão as melhores oportunidades?

Tecnologia

A demanda segue forte especialmente em educação, indústria e mercado financeiro. As áreas mais buscadas incluem segurança da informação, arquitetura e desenvolvimento de sistemas, cloud computing, dados e inteligência artificial.

O ponto novo é a cobrança por tecnologia aplicada: automação que reduza tarefas repetitivas, agentes de IA que acelerem análises e decisões e sistemas que melhorem experiência do cliente e controle de riscos.

Com isso, posições ligadas diretamente à IA ganham destaque salarial. Segundo a Robert Half, engenheiros(as) de Inteligência Artificial aparecem entre os cargos mais bem remunerados fora do C-level, com faixa de R$ 19.500 a R$ 27.100. Já um(a) CIO pode variar de R$ 32.000 a R$ 53.600, dependendo do porte da empresa e do desenho da função.

Engenharia

O setor é impulsionado pela chegada de novas indústrias, com destaque para o avanço de empresas, incluindo grupos chineses, em segmentos como automotivo, infraestrutura, máquinas e equipamentos e energia, segundo Gomes.

O foco está em funções que conectam operação e estratégia, como melhoria contínua, gestão de projetos e processos, qualidade e engenharia de aplicação/vendas, a engenharia voltada a “vender solução”.

A faixa executiva para Diretor(a) de Supply Chain/Suprimentos pode ir de R$ 28.900 a R$ 54.950, enquanto a remuneração de Engenheiro(a) de Aplicação/Vendas varia entre R$ 10.000 e R$ 19.650.

Vendas e marketing

A tendência é de profissionalização da venda consultiva, com maior uso de dados, automação e IA para melhorar prospecção, precificação e expansão de carteira. Nesse cenário, cresce o valor de profissionais que combinam negociação, inteligência de mercado e capacidade de execução.

A posição de Analista de Inteligência de Mercado aparece com faixa salarial entre R$ 6.600 e R$ 14.800, refletindo a importância de transformar informações em decisões de negócio.

Jurídico

A área jurídica aparece em rota de alta, com demanda por trabalhista, tributário consultivo e M&A, especialmente em setores com logística e cadeias complexas, além de impactos relacionados à Reforma Tributária e à incorporação de IA no fluxo de contratos e pesquisa.

A mensagem é semelhante à de outras áreas: quem se limita ao “juridiquês” perde espaço, enquanto quem traduz risco jurídico em decisão de negócio tende a ganhar relevância.

Mercado financeiro

A contratação permanece forte em asset managers, gestoras independentes e fundos de private equity, além de bancos digitais e fintechs ligadas a pagamentos, crédito e carteiras digitais.

As funções citadas como em alta incluem analistas de M&A, associates em risco de mercado e crédito e CFOs. Entre os destaques salariais, um(a) Sales Trader em cadeira executiva pode variar de R$ 56.750 a R$ 86.600, enquanto posições como Especialista de ESG aparecem entre R$ 11.100 e R$ 16.700.

Seguros

O setor de seguros se beneficia da digitalização e de novos modelos, com demanda em corretoras e consultorias de benefícios, healthtechs integradas a planos corporativos e insurtechs focadas em inovação.

Entre as exigências técnicas, ganham espaço normas internacionais (como IFRS 17), modelagem de riscos e precificação, além de data science e machine learning aplicados a sinistros e fraudes. A faixa salarial executiva para Diretor(a) de Crédito e Risco vai de R$ 33.500 a R$ 50.200, enquanto Analista Atuarial aparece entre R$ 11.400 e R$ 13.250.

O perfil que tende a subir em 2026

Mais do que uma profissão específica, especialistas destacam que o mercado de 2026 deve favorecer o profissional que aprende rápido, se adapta rápido e consegue demonstrar valor rapidamente. A discussão sobre retorno ao trabalho presencial aparece como ponto de atrito, mas não necessariamente impeditivo: muitos aceitam voltar, desde que haja contrapartidas claras em remuneração e benefícios.

Para as empresas, o desafio tende a ficar mais caro e mais complexo, pois atrair talentos é apenas metade do trabalho. Reter exige cultura, liderança, clareza de carreira e um pacote de valor coerente.

A estratégia recomendada para 2026 passa por dominar tecnologia útil para a função, entender como o trabalho impacta receita, custo ou risco, fortalecer comunicação e negociação e, quando possível, evoluir o inglês do nível operacional para a capacidade de conduzir reuniões.

Visão Bolso do Investidor

A dinâmica de “mercado de candidato” em 2026 indica que capital humano e produtividade estarão ainda mais no centro da competitividade das empresas. Setores que aceleram digitalização, automação e uso de IA tendem a demandar profissionais capazes de conectar tecnologia a resultados de negócio, enquanto áreas tradicionais passam a valorizar quem traduz complexidade em decisão. Para investidores, o tema importa porque afeta custos de mão de obra, margens, capacidade de execução e crescimento das companhias, fatores que, no longo prazo, influenciam desempenho operacional e percepção de valor no mercado.


Fontes:

  • Infomoney